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Ex-prefeito acusa delegado de ‘suborno’

Folhapress
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São Paulo - Paulo Maluf, preso há 13 dias na Polícia Federal (PF) de São Paulo, acusou o delegado Protógenes Queiroz de “subornar” um doleiro para tentar incriminar a ele e ao filho Flávio. A declaração foi feita ontem por meio de nota assinada pela assessoria do ex-prefeito. A acusação de Maluf é baseada em escutas telefônicas, feitas pela própria PF, que captaram conversas entre o doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi (principal acusador do ex-prefeito), e um interlocutor não identificado.

Nos diálogos, Birigüi afirma que receberia um “presente” do delegado ao final do processo: “Eu entendi que ele vai me aliviar no inquérito dele”, diz. Para a assessoria do ex-prefeito, a conversa “prova e deixa claro aquilo que já era evidente: o delegado subornou o doleiro com a promessa de livrá-lo de ser condenado, por meio dos benefícios da chamada delação premiada, desde que ele (Birigüi) mentisse e incriminasse Maluf e Flávio”.

A degravação foi divulgada por advogados de Maluf na noite de anteontem, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar o pedido de liminar em habeas corpus para o ex-prefeito e para o filho. A conversa entre Birigüi e o interlocutor foi gravada no dia 11 de julho. Quatro dias antes, pela primeira vez, o doleiro havia acusado o ex-prefeito de remeter ilegalmente US$ 161 milhões para os EUA.

Ainda em julho, no dia 27, Maluf informou à Justiça que Birigüi o havia chantageado para não depor contra ele. Na conversa gravada, o doleiro diz ainda que o delegado prometeu “não incomodá-lo” nos novos negócios. O interlocutor afirma que o ex-prefeito e filho “foram burros” por não terem pagado uma quantia em dinheiro para o doleiro. “Na conversa entre os dois doleiros, fica claro que, se os Maluf tivessem concordado com a chantagem, nada disso estaria acontecendo com eles”, diz a nota.

Na nota, Adilson Laranjeira, assessor de Maluf, compara a Polícia Federal à Gestapo - polícia secreta alemã ao tempo do nazismo. “O comportamento do delegado da PF Protógenes Queiroz, apoiado por um procurador da República, é criminoso e compromete a Polícia Federal como um todo, tentando transformá-la numa Gestapo”.

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