Cultura

‘Só as Gordas São Felizes’

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Dois médicos acusados de pedofilia e homicídio fazem confissões e revelam seus mais íntimos segredos um ao outro na prisão, enquanto aguardam julgamento. As cenas inusitadas e a boa dose de humor negro proveniente desse encontro estão na peça “Só as Gordas são Felizes”, que pode ser conferida hoje no auditório do Serviço Social do Comércio (Sesc).

Guilherme Freitas e Dill Magno vivem os dois profissionais, que não entendem o motivo de estarem presos já que vêem com naturalidade as práticas de sedução de menores de idade e de retalhação de clientes.

“Os dois se julgam o máximo. Eles estão há pouco tempo ali e começam a falar dos crimes com muito humor negro; falam sobre como se comportam perante à sociedade e como se posicionam como médicos. Eles não têm muito assunto e ficam envolvidos em seus próprios pensamentos”, conta Freitas, em entrevista ao JC Cultura.

Entre os assuntos abordados pelos profissionais está a quantidade de remédios que as pessoas ingerem, a busca insana do emagrecimento e da felicidade. Além de um dos médicos, Freitas vive também o terceiro personagem da peça, a Gorda, uma ex-namorada do serial killer que foi morta por ele e reaparece em seus devaneios.

“Fazemos uma crítica a essa situação de hoje querer ter isso ou aquilo para poder ser feliz. Para ser feliz, basta ser feliz e pronto. Não é necessário tanto consumismo e arrogância”, avalia o ator, que também assina a produção da peça.

O humor negro é uma das marcas de “Só as Gordas São Felizes”. “Quem gosta de humor negro, ri. Quem não gosta, fica assustado. Afinal de contas, há casos verídicos no texto”, explica Freitas.

Princípios

A filosofia de trabalho da Cia. da Obesidade - que na verdade não é uma companhia teatral, mas uma união de parceiros de trabalho, segundo seus próprios integrantes -, é a valorização do ator. Trata-se de algo que pode parecer óbvio quando se fala em teatro, mas que nem sempre é praticado desta forma.

“Nossa prioridade é essa. Às vezes, tem companhias que montam cenários imensos, figurinos, etc., mas se esquecem do texto e do que é o teatro. Para nós, primeiro está o texto. O resto vem depois. Assim, o próprio ator acaba tendo mais liberdade de criar no palco. Só depois do texto pronto é que chamamos os parceiros para fazer cenário, figurino, iluminação”, expõe Freitas.

O espetáculo estreou no Festival de Teatro de Curitiba e já passou por São Paulo e por várias cidades do Interior paulista. No mês de agosto, a peça excursionou por Portugal.

• Serviço

Peça “Só as Gordas São Felizes”, hoje, às 21h, no auditório do Sesc. Ingressos a R$ 8,00 e R$ 4,00 (matriculados, estudantes e maiores de 60 anos). Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Outras informações pelo (14) 3235-1750.

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