Bairros

DAE fecha dois bolsões de entulho

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 4 min

Desde ontem, Bauru está com apenas uma área regularizada para jogar entulhos da construção civil. Os dois bolsões provisórios da região da Vila Santista foram fechados ontem pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) porque já estão lotados. A única área disponível para população, também temporária, fica no Núcleo Bauru 16. É para o local que deve ser levada a maior parte das 600 toneladas produzidas por dia na cidade. O terreno, entretanto, não tem capacidade para atender todo o município.

Os pontos para destino autorizado de entulho são de responsabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). Atualmente, existe apenas um, situado no Jardim Colonial. Mas somente uma empresa tem autorização para jogar sobras de construção no local. “Ela é a única que tem a máquina necessária para empurrar o entulho”, explica o diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da secretaria, Leandro Razuk Ruiz.

Além deste bolsão, caçambeiros e população tinham três áreas como opção, duas na Vila Santista (já fechadas) e uma no Bauru 16, única restante. Assim como as interrompidas ontem, a área atual tem permissão para receber o lixo apenas enquanto o DAE estiver trabalhando no local. Como a autarquia está construindo rede de receptores nestes terrenos, precisa de entulho para ajudar a estabilizá-lo e, assim, permitir o acesso das máquinas.

Segundo a autarquia, novo local será disponibilizado em breve, também temporariamente, nas proximidades do Horto Florestal.

As soluções encontradas pelo DAE, entretanto, são insuficientes para todo entulho da cidade. “É uma de nossas maiores preocupações hoje. Estamos com área escassa e logo ela vai acabar também”, alerta o secretário da Semma, Carlos Barbieri. Ele explica que a secretaria está enfrentando dificuldades para disponibilizar novos espaços para o destino final dos entulhos. Erosões que poderiam servir de opção têm água no fundo, o que inviabiliza a transformação do local em bolsão, devido aos riscos de contaminação ambiental.

No começo do mês passado, um bolsão às margens da rodovia Bauru-Marília, também no Bauru 16, foi fechado por estar no limite da capacidade. Na época, os entulhos foram levados aos Lotes Urbanizados, na região leste da cidade, mas há pelo menos 15 dias o serviço está interrompido devido a obras no local.

Conseqüências

Na falta de opções legalizadas, terrenos baldios viram destino de entulhos, uma situação irregular. Um morador da Vila Santista, que pediu para não se identificar por temer represálias, reclama do lixo jogado nas proximidades da rua Benevenuto Tiritan. Rodeada por áreas verdes, o local abriga desde restos de materiais de construção a sofás velhos. O problema se agrava quando pessoas colocam fogo para destruir o lixo. As fumaças podem ser vistas a um quilômetro de distância, segundo o morador. “É perigoso, há animais ali e o vento leva a fumaça para as casas próximas”, reclama.

Esta rua é apenas um ponto dos 53 irregulares espalhados pela cidade, de acordo com levantamento feito pela Semma no início do ano. “Estas áreas já foram limpas mais de três vezes este ano, mas as pessoas continuam sujando”, afirma Barbieri.

O secretário lembra que jogar lixo ou entulho em local não regularizado pela administração é ilegal. Se a pessoa for vista jogando o material, fica sujeita a multa de R$ 500,00. Já o dono do terreno que não limpar a área após autuação dos órgãos responsáveis pode receber multa diária de R$ 1 mil.

Além de crime ambiental, jogar lixos em locais não preparados para isso podem causar danos ao meio ambiente e à saúde pública, já que muitos usam o local indevidamente para descartar lixo orgânico ou galhos de árvores. “Acarreta sujeira e proliferação de vetores de doença (mosquitos da dengue e leishmaniose), que podem causar problemas de saúde”, lembra o secretário.

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Solução

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) informa que está trabalhando, a secretaria está “correndo” para resolver a escassez de pontos legais para depósito de entulho. Segundo o diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da secretaria, Leandro Razuk Ruiz, o órgão está aguardando a liberação de duas novas áreas nos bairros Alto Alegre e no Pousada da Esperança. “Dependemos de obras de drenagem nestes locais (porque tinham nascentes de água). Esperemos que até o mês de outubro estejam liberados”, estima.

A longo prazo, a secretaria espera não depender apenas de terrenos para resolver o problema do entulho na cidade. O titular da Semma, Carlos Barbieri, afirma que está em elaboração o Plano de Gerenciamento, que iria sistematizar o controle do entulho e criar pelo menos mais 20 pontos de depósito. Por fim, o plano vai propor a criação de uma unidade de reciclagem. “Com ela não precisaríamos de nenhum bolsão, porque o material já sairia moído e, assim, é mas fácil de ser desprezado”, explica. Ele acrescenta ainda que mais de 50% do material de construção jogado pode ser reciclado, o que geraria renda para catadores e diminuiria a quantidade jogada. A expectativa da Semma é concluir o projeto até o fim deste ano.

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