Conheci, em tempos idos, uma senhora que encerrava toda discussão sobre problemas insolúveis com uma frase fatalista: “Errado o princípio, desgraçado o fim!†A desgraça do Brasil vem dos remotos tempos do descobrimento e colonização. Lembro-me do ufanismo ingênuo da professorinha do ginásio discorrendo sobre o heroísmo dos brasileiros (?) expulsando os invasores franceses e holandeses no Nordeste e os castelhanos no Sul. Quem eram, afinal, os invasores, se todos, descobridores inclusos, só tinham um objetivo: pilhar e explorar a terra nativa?
Pusemos todos para correr, mas não sem tempo de herdar a cultura infame do saque legítimo e da pilhagem legal. Só isso explica nossa aquiescência, nossa complacência e a incompreensível compreensão para com a corrupção, o saque e a pilhagem de nossos governantes ao nosso próprio erário.
Somos como Macunaíma, heróis sem nenhum caráter. E se hoje, ainda e apesar de tudo, somos a grandeza que somos, devemos isto tão somente a meia dúzia de idealistas, mortos e enterrados, a uma natureza pródiga, a uma situação geográfica privilegiada e a uma legião anônima e esquecida que carrega esta Nação nas costas e trabalha com o estoicismo das mulas, à exaustão, sem fazer perguntas, nem cobrar respostas. Porque o resto, os que estão no cabeçalho da nossa história, só têm um objetivo escancaradamente confesso: o caixa dois. (Myrthes Herrera - RG 9.832.097)