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Em sete anos, uso de anabolizantes matou 14; três apenas em 2005

Folhapress
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São Paulo - Três mortes registradas neste ano, internações e preço alto. Nada evita o consumo de anabolizantes no País, um hábito que cerca principalmente os jovens que freqüentam academias. Os anabolizantes foram responsáveis por 14 mortes nos últimos sete anos, sendo três de janeiro até agora, envolvendo pessoas com média de idade de 25,9 anos.

A estatística integra o relatório da Polícia Federal e da Associação Brasileira de Estudos e Combate ao Doping. O levantamento, feito de 1998 até maio deste ano, não inclui quem teve danos à saúde ou foi preso por traficar a droga. “Os casos devem ser mais numerosos, visto que há suspeitas de outras mortes por anabolizantes a serem confirmadas”, diz Alexandre Pagnani, presidente da Associação e da Confederação Brasileira de Culturismo e Musculação.

Todos os mortos eram fisiculturistas, praticantes de lutas e de musculação. O Estado da Paraíba é o que teve mais casos (quatro), seguido por São Paulo (três). O perfil dos consumidores, universitários de classe média, assemelha-se ao do usuário de ecstasy, segundo o coordenador-geral da Polícia de Repressão a Entorpecentes Ronaldo Urbano, delegado da Polícia Federal.

“Anabolizantes são hormônios à base de testosterona. O exagero causa problemas hepáticos, renais e fraqueza, atacando o coração, o fígado e os rins. Num caso mais grave, pode até provocar câncer”, explica Keila Fontana, doutora em fisiologia do exercício e professora da Universidade de Brasília.

Os usuários que não querem pagar muito pelos anabolizantes importados recorrem aos nacionais, mais baratos e comprados em farmácias, burlando a obrigatoriedade da receita. â€œÉ fácil comprar”, revela Hugo (nome fictício), 29 anos, ex-usuário e traficante de São Paulo. Ele e outras pessoas envolvidas com anabolizantes apontam as drogas veterinárias, vendidas sem receita, como a coqueluche atual.

Há mais de um ano, Jackson Vieira de Souza morreu de falência renal aos 21 anos em Padre Bernardo (GO) ao usar o anabolizante animal Estigor (para engordar bovinos). Um processo foi aberto, mas ninguém foi preso. P.H., 16 anos, amigo de Souza que também aplicou o produto, ficou em coma e ainda se recupera. “Meu filho fez traqueostomia e vai fazer a oitava cirurgia para costurar o esôfago e tirar a sonda. Os culpados são traficantes que mostram drogas a menores”, disse Luisa Maria do Carmo, 41 anos, mãe de P.H.

A PF está mapeando o tráfico, mas não diz quantas pessoas já foram presas. “O que posso dizer é que Brasília, São Paulo, Campinas, Santos, Londrina, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Rio Branco, Manaus, Recife, Salvador e Fortaleza são grandes locais de consumo. Onde há consumo há traficante”, diz Urbano.

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