O cidadão Elias Brandão, presumo bauruense, mas com certeza brasileiro de quatro costados, insubordina-se em carta à redação, na edição de 16 de agosto deste conceituado órgão de imprensa, sobre a minha posição em relação ao cumprimento da Constituição Brasileira, que ajudei a escrever como deputado constituinte. Aceito a opinião deste senhor com humildade, pois defendo a ampla liberdade de pensar e de exprimir. Liberdades democráticas pelos quais lutei desde 1964 até o naufrágio do regime totalitário que as surrupiou.
Quero ainda, sobre minha opinião, da qual o senhor Elias diverge, dizer que os recursos gastos com as câmaras dos vereadores independem do número de edis seus ocupantes e, portanto, qualquer que seja a interpretação dada ao instrumento legal maior da Nação não haverá dispêndio maior ou menor dos recursos angariados dos munícipes a que ele se refere e defende, da mesma forma que o faço. O valor do imposto arrecadado é o maior patrimônio público e, portanto, é com o maior zelo que deve ser utilizado. Como o fiz e o senhor Elias pode pesquisar quando ocupei funções executivas no meu País.
A Câmara Municipal é a porta de entrada da democracia. Afunilar a primeira entrância do processo é apequenar a vontade popular. A voz da Câmara é a voz-cidadã. O vereador é plantonista - serve 24 horas ao dia. Tirar-lhe valor e extrair mandatos é hemorragia no corpo representativo. É sangrar na proporcionalidade de opiniões e diminuir o Poder Legislativo.
Quanto à opinião dos fora-de-estrada do senhor Elias, ao se referir a deputados 4x4, quero avivar-lhe a memória, com sua permissão. Parte significativa da minha família e, principalmente, três netos meus, filhos da Alexandra e Fernando, moram na região de Bauru, em Presidente Alves, onde sou proprietário da Destilaria Guaricanga. Fixei-me aqui desde 1988 e venho participando de todas as lutas econômico-político-sociais da região desde então, como atestam os 20 mil votos que tive na região de Bauru nas eleições de 2002. Tenho aqui amigos e amigas que prezo e os tenho em mais alta conta. Não os nomeio para não constranger os muitos que são anônimos, companheiros de idéias que aqui tenho e me freqüentam e ao meu mandato.
Não possuo o hábito de justificar meu mandato, mas quando se faz necessário, procuro demonstrar pelas ciências exatas que tenho zelo por toda a população bauruense, assim como a grande região que a cerca. Para não ficar cansativo, listo algumas benfeitorias destinadas à região a partir de 2000, fruto de emendas parlamentares por mim apresentadas à União. Em Avaí, no ano de 2000, por exemplo, foram destinados R$ 40 mil pelo Ministério da Agricultura. Bauru, sua cidade e a de grandes cidadãos, aguarda a liberação do Ministério das Cidades de R$ 200 mil para a área de infra-estrutura. Só em Presidente Alves, nos últimos cinco anos, foram mais de R$ 520 mil. Ainda faltam na lista Duartina (R$ 80 mil), Fernão (R$ 50 mil), Gália (R$ 50 mil) e Ubirajara (R$ 50 mil). Somados, os recursos representam uma cifra equivalente a quase R$ 1 milhão. Não é pouco, levando em conta que cada parlamentar só pode solicitar R$ 2,5 milhões em recursos e também se pensarmos que esses repasses chegam ao município para casos específicos e, portanto, estão livres das aplicações constitucionais, como os 25% obrigatórios para a Educação.
“At last but nos leastâ€, senhor Elias, não se votam em deputados por cidades ou regiões. Somos representantes do Brasil. Para respeitar a Federação, vimos proporcionalmente de todos os 27 Estados federados. O voto do acreano mais longínquo o representa. O deputado maranhense defende a sua nacionalidade. O parlamentar goiano fala pelo Brasil em qualquer fórum internacional. Como os 513 deputados federais defendem a integridade da sua família, a educação de seus filhos, a saúde da nossa comunidade, os seus direitos fundamentais de cidadão. Ao passo que só falam como paulistas três senadores. E não é possível, também, apesar de sua vontade local, elegê-los por Bauru. Ainda bem que é assim, porque se o senhor elegesse apenas um deputado, e por ironia, ele não falasse a sua língua ou lhe fosse adversário, a ele seria servo. E defendo sua liberdade com intransigência, senhor Elias. Aliás, logo elegeremos deputados do Mercosul. Espero que o senhor não seja xenófobo e possa admitir que fronteiras não nos fazem diferentes. (João Herrmann Neto - deputado federal pelo PDT e ex-prefeito de Piracicaba)