Tribuna do Leitor

APOLÔNIO DE CARVALHO


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Às vezes, nos chegam lembranças após notícias dolorosas. Essas lembranças é que nos auxiliam a deter um pouco a dor que nos atinge. Mas mesmo essas lembranças dóem um pouco, pois sabemos que um combatente quando morre, leva junto de si um pouco de sua história. Neste momento, é com dor que me refiro a este grande democrata que se foi e que já nos faz falta neste terríveis tempos de insensatez. Apolônio de Carvalho foi uma das pessoas que fizeram parte da minha formação humanista e foi um exemplo vivo de que a coerência e o idealismo não são produtos utópicos.

Conheci este grande ser humano no início de minha militância política, nos primórdios do PT, quando este partido ainda não havia se tornado um colorido leque de tendências e era ainda imune às traças políticas que hoje o infestam. Foi numa visita de Lula em Bauru, início dos anos 80, uns gatos pingados na platéia e vários militantes, metalúrgicos, políticos e outros, mas principalmente, estava lá Apolônio de Carvalho, personagem de livro de Jorge Amado, combatente e líder da resistência francesa contra o nazismo, lutou com os republicanos espanhóis contra o famigerado Franco, inimigo de todas as sandices totalitárias que invadiram nossa Pátria, de Getulio aos coronéis pós 64, também deu a honra ao meu pai de ser seu companheiro de luta.

Sua personalidade é da mesma têmpera de comunistas e socialistas históricos, pessoas que não se dobraram ao poder e que servem de exemplo a qualquer geração. Infelizmente, porém, eles se vão, mas deixam uma marca em seu caminho: Apolônio, Prestes, João Amazonas, e tantos outros. Pessoas como eles não precisam ser nome de ruas ou praças, pois permanecem guardadas no peito de todos os que sonham com um futuro melhor, ficam para sempre nos que sonham com o amanhã e, principalmente, permanecem nos que sabem que o mundo pode ser mudado. (Sílvio Ênio Spetic da Selva - artista plástico - RG 15.248.563-6)

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