Além de gerenciar toda a organização de seus clientes, as empresas administradoras de condomínios também participam ativamente da vida social dos prédios, muitas vezes, intermediando os conflitos entre moradores. A informação é de Roberto Fornazari, sócio-proprietário da Fornazari Administração e Serviços, empresa que administra 70 condomínios com 4.500 unidades residenciais.
O empresário admite que ainda existem muitos conflitos, sendo que os mais comuns registrados na sua empresa referem-se à produção de barulhos provocados por hábitos dos moradores. Os barulhos “campeões†de reclamações são de salto alto usado pelas moradoras do andar de cima, móveis arrastando e hábitos com horários inusitados, como uma faxina feita muito cedo ou tarde da noite.
Nestes casos, Fornazari diz que o normal é que o morador incomodado acione o síndico. “Mas por ausência dele ou dificuldades em encontrá-lo, muitos encontram na administradora o ‘ombro amigo’ para sua reclamação. Então assumimos o papel de porta-voz do morador ou vamos para o campo da mediação (do conflito)â€, explica. “Mas dificilmente há um confronto direto (entre moradores)â€, completa.
O empresário diz que o síndico deve fazer valer a norma estabelecida e, se for o caso, até aplicar a multa prevista para cada infração. “Na maior parte das vezes a situação se resolve com notificaçõesâ€, diz.
Com relação à posse de animais, Fornazari reforça a tendência de que há bastante tolerância sobre regulamentos proibitivos, com o registro apenas de algumas reclamações isoladas. Segundo ele, o debate sobre animais em condomínios já passou do campo do “ter†ou “não ter†para “como ter†e quais as regras para isso.
Neste sentido, ele critica o abuso de pessoas que deixam cães trancados sozinhos em apartamentos por longos períodos, o que os faz latir e incomodar os vizinhos. “Sabemos que os animais precisam de companhia e que sozinhos dão problemaâ€, exemplifica. “Mas a proibição ficou mais fraca e hoje quase inexisteâ€, admite.
Amadurecimento
A opinião não é dominante, mas o sócio-proprietário da Habitar Administradora de Condomínios, Milton Antônio de Barros, diz que entre os prédios sob responsabilidade de sua empresa a ocorrência de conflitos “é quase zeroâ€. “Não há nada muito relevante que uma cartinha com pedido de colaboração não resolvaâ€, diz. “Quando muito, temos casos isolados, que acabam resolvidos pelo bom sensoâ€, completa.
Ele credita esta nova tendência ao amadurecimento do bauruense, que estaria aprendendo a viver em condomínios. “Bauru ainda é muito nova em termos de convivência em condomínios, algo em torno de 20 anos. A maioria dos moradores ainda representa a primeira geraçãoâ€, relata o empresário, há 13 anos no ramo.
Segundo Barros, porém, já está chegando a segunda geração, com uma nova mentalidade. “As crianças cresceram neste ambiente e agora, adultas, já têm mais consciência de seu espaço, de seus direitos e obrigações. Estes ‘novos’ moradores começam a tolerar e a compreender o que é viver em condomínioâ€, explica.