Bairros

Administradoras de condomínios acabam intermediando desavenças

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Além de gerenciar toda a organização de seus clientes, as empresas administradoras de condomínios também participam ativamente da vida social dos prédios, muitas vezes, intermediando os conflitos entre moradores. A informação é de Roberto Fornazari, sócio-proprietário da Fornazari Administração e Serviços, empresa que administra 70 condomínios com 4.500 unidades residenciais.

O empresário admite que ainda existem muitos conflitos, sendo que os mais comuns registrados na sua empresa referem-se à produção de barulhos provocados por hábitos dos moradores. Os barulhos “campeões” de reclamações são de salto alto usado pelas moradoras do andar de cima, móveis arrastando e hábitos com horários inusitados, como uma faxina feita muito cedo ou tarde da noite.

Nestes casos, Fornazari diz que o normal é que o morador incomodado acione o síndico. “Mas por ausência dele ou dificuldades em encontrá-lo, muitos encontram na administradora o ‘ombro amigo’ para sua reclamação. Então assumimos o papel de porta-voz do morador ou vamos para o campo da mediação (do conflito)”, explica. “Mas dificilmente há um confronto direto (entre moradores)”, completa.

O empresário diz que o síndico deve fazer valer a norma estabelecida e, se for o caso, até aplicar a multa prevista para cada infração. “Na maior parte das vezes a situação se resolve com notificações”, diz.

Com relação à posse de animais, Fornazari reforça a tendência de que há bastante tolerância sobre regulamentos proibitivos, com o registro apenas de algumas reclamações isoladas. Segundo ele, o debate sobre animais em condomínios já passou do campo do “ter” ou “não ter” para “como ter” e quais as regras para isso.

Neste sentido, ele critica o abuso de pessoas que deixam cães trancados sozinhos em apartamentos por longos períodos, o que os faz latir e incomodar os vizinhos. “Sabemos que os animais precisam de companhia e que sozinhos dão problema”, exemplifica. “Mas a proibição ficou mais fraca e hoje quase inexiste”, admite.

Amadurecimento

A opinião não é dominante, mas o sócio-proprietário da Habitar Administradora de Condomínios, Milton Antônio de Barros, diz que entre os prédios sob responsabilidade de sua empresa a ocorrência de conflitos “é quase zero”. “Não há nada muito relevante que uma cartinha com pedido de colaboração não resolva”, diz. “Quando muito, temos casos isolados, que acabam resolvidos pelo bom senso”, completa.

Ele credita esta nova tendência ao amadurecimento do bauruense, que estaria aprendendo a viver em condomínios. “Bauru ainda é muito nova em termos de convivência em condomínios, algo em torno de 20 anos. A maioria dos moradores ainda representa a primeira geração”, relata o empresário, há 13 anos no ramo.

Segundo Barros, porém, já está chegando a segunda geração, com uma nova mentalidade. “As crianças cresceram neste ambiente e agora, adultas, já têm mais consciência de seu espaço, de seus direitos e obrigações. Estes ‘novos’ moradores começam a tolerar e a compreender o que é viver em condomínio”, explica.

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