Gastronomia

Batatas à beça

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Nativa do Peru, a batata agrada gregos e troianos. Ou melhor, brasileiros, americanos e europeus.

Mas essa redonda e gostosa já teve dias de inferno astral, como diria o João Bidu. Na antigüidade, era considerada anticristã e sexualmente impura. O tubérculo que remonta a tempos pré-históricos fazia parte do cerimonial fúnebre dos incas.

Descoberta pelos espanhóis, foi levada à Europa e cultivada na marra já que os camponeses preferiam morrer a plantar o “alimento do diabo”.

A coisa era tão brava que em 1651, na Prússia, Frederico Guilherme ameaçou cortar os narizes e as orelhas dos soldados caso não plantassem a nova comida, capaz de saciar a fome. Uma forma de evitar levantes. Ou seja que os famintos se insurgissem contra a nobreza reinvidicando direitos.

Mas tudo só melhorou quando um cavalheiro francês de nome Parmentier convenceu o rei Luís 16 a autorizar o cultivo nos terrenos do Palácio de Versailles, sob vigilância absoluta dos soldados monarquistas.

Como tudo que é proibido tem gosto diferente, quando chegou a época da colheita os guardas foram estrategicamente retirados à noite. O povo invadiu a roça para roubar as “maçãs da terra” (pomes de terre), como denominaram as batatas desprotegidas.

Assim, o povo foi convencido a comer o pão dos pobres. O rei, feliz, agradeceu a Parmentier pela idéia: Ao vencedor, as batatas!

Hoje, come-se batatas das mais diferentes maneiras: frita à francesa (que, na verdade foi inventada na Bélgica), à maneira alemã, em forma de “chips”; à sautè, cozidas no vapor e passadas na manteiga, em antepastos, em nhoques, etc. e tal.

O mestre da casa, um devorador de livros e de batatas, lembra que “o escritor americano Truman Capote (“A Sangue Frio”) tinha seus luxos calcados na simplicidade. Seu almoço de batata obedecia a certos rituais. Primeiro, levava ao forno uma enorme batata, talhada ao meio onde introduzia sal e alho - envolvida com papel aluminizado”.

Na hora do almoço, as batatas fumegantes eram recheadas com creme de leite e, por cima, caviar Beluga - o mais fresco, enorme e cinzento. E, claro, degustada com pompa e circunstância com garrafas de vodka russa resfriada no congelador. “Dizia Capote que esse frugal almoço alimentava o corpo e a alma”.

Batata rösti

750 g de batata

2 cebolas picadas

150 g de bacon defumado, cortado em tiras

150 ml de óleo

Sal e pimenta-do-reino moída na hora, a gosto

Cozinhe as batatas, com a casca, até meio cozimento. Descasque-as e rale-as num ralador grosso.

Refogue o bacon com a cebola, no óleo. Junte as batatas, refogue-as e tempere-as com sal e pimenta.

Quando formar uma crosta, vire esse “bolo de batata” do outro lado.

Purê de batata

1 kg de batatas

1/3 de xícara de leite

2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina

Sal a gosto

Cozinhe as batatas e passe-as pelo espremedor. Numa panela, coloque a batata com o restante dos ingredientes e cozinhe, mexendo sempre, por uns cinco minutos.

Polvilhe cheiro-verde, se quiser.

Janssonsfrestelse

1 kg de batatas descascadas e cortadas em rodelas

2 1/2 colheres (sopa) de margarina

250 g de cebolas cortadas em rodelas finas

20 filés de anchovas

3 colheres (sopa) de farinha de rosca

1,1 litro de creme de leite fresco

Pimenta-do-reino branca a gosto

Deixe as batatas de molho em água fria por alguns minutos. Unte uma fôrma com 1/2 colher de margarina, escorra e enxugue as batatas.

Com parte das rodelas, forre o fundo da fôrma e, por cima, alterne camadas de cebola e de anchovas, terminando com as batatas.

Salpique a pimenta, espalhe o creme de leite e, por cima, a farinha de rosca e a margarina picada. Leve a torta para assar em forno preaquecido por 45 minutos (200ºC).

Baked potatoes

6 batas grandes lavadas e secas

Perfure as batatas em alguns pontos para facilitar a saída do excesso de vapor

Forre uma fôrma refratária com papel absorvente. Coloque as batatas bem separadas nas bordas para que as microondas penetrem por todos os lados. O tempo de cozimento vai de 3 a 5 minutos (1 batata); 5 a 7,5 m (2 batatas); 7 a 10 minutos (3 batatas) e de 10 a 12 minutos (4 batatas).

Vire as batatas no meio do tempo do cozimento. Uma vez cozidas, embrulhe-as em papel alumínio e deixe-as descansar por 15 minutos, aproximadamente, para terminar o cozimento interno.

Sirva cortando uma fenda da batata e recheando-a com o recheio de sua preferência: iogurte com azeite e salsinha; requeijão com atum ou aliche; presunto cozido; frango com catupiry, etc).

*Não ligue o microondas com papel alumínio.

Picadinho com batata

1/2 kg de carne (músculo, acém, etc)

3 colheres de sopa de óleo

2 dentes de alho amassados

1 cebola média picada

2 tomates picados, sem pele nem sementes

1 folha de louro

Sal e pimenta

3 batatas cortadas em pedaços

Limpe e corte a carne em cubinhos de três centímetros, mais ou menos. Aqueça o óleo e doure a carne, mexendo de vez em quando. Junte o alho e a cebola e frite mais um pouco. Acrescente estes ingredientes e refogue por alguns minutos.

Junte a batata e cubra com água. Tampe a panela, abaixe o fogo e deixe cozinhar. Verifique de vez em quando e acrescente mais água, se for preciso, para que o picadinho fique com molho.

Bolinho de batata

1 kg de batatas descascadas, cozidas e passadas no espremedor

Sal a gosto

1 colher (sopa) de margarina

1 ovo

Salsinha a gosto

Óleo para fritar

Misture todos os ingredientes até formar um purê. Frite às colheradas em óleo novo.

Panqueca de batata

4 batatas grandes

1 cebola pequena

1/2 xícara (chá) de leite

Sal

1 ovo batido

2 colheres (sopa) de farinha de trigo

Óleo para fritar

Descasque e lave as batatas cruas. Passe-as pelo ralador, misturando numa vasilha juntamente com o leite. Acrescente a cebola ralada, o ovo, a farinha de trigo e o sal.

Misture bem todos esses ingredientes. Deixe fritar até que fiquem bem douradas dos dois lados e sirva imediatamente.

*Se quiser, recheie a gosto.

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