Política

Tuga e Purini acertam convivência

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Tuga Angerami (PDT) e o vice, Renato Purini (PMDB), afirmaram ontem que divergências em torno de posições administrativas não vão abalar o relacionamento pessoal e institucional entre ambos. O chefe do Executivo classificou como “normais” as opiniões divergentes entre ambos, principalmente após a situação ter se tornado pública no último sábado, em matéria do JC.

“Não há crise e nossa relação pessoal como prefeito e vice continuam muito bem. O Renato Purini tem se esforçado para encontrar saídas para a Emdurb e não vamos deixar que opiniões diferentes sobre a avaliação de ações de governo interfiram nem na relação pessoal, nem na institucional”, cita Angerami.

Para o chefe do Executivo, não há motivos para deixar que divergências contaminem o ambiente de governo. “As reuniões com os secretários envolvem mesmo muitas vezes opiniões diferentes e é importante que elas sejam colocadas, até por respeito ao que o outro pensa. Por isso vejo as dificuldades em encontrar uma saída para a Emdurb acima dos valores que são colocados em balancetes. Mas isso não gera nenhum problema institucional. O Renato participou conosco de mais uma reunião de secretariado hoje e discutir e apontar às vezes conflitos de idéias faz parte da gestão”, pondera.

O vice, Renato Purini, também procura amenizar a divulgação em torno de diferenças administrativas que surgiu em relação ao chefe do Executivo. “Pegamos a Emdurb em uma situação muito difícil e sabemos do esforço do prefeito em conduzir as ações para uma solução. A partir do que encontramos, foi apontada a necessidade de uma ampla auditoria interna para termos todos os dados da empresa em mãos. Com esses dados da auditoria, vamos sentar com o prefeito, discutir o que for preciso e definir uma ação de governo”, menciona o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).

As diferenças em torno de posicionamentos de governo ecoou na sessão da Câmara Municipal de ontem à tarde e também repercutiu dentro do PMDB. O presidente municipal da legenda, Alex Gasparini, sintetizou que a discussão de questões internas encontra seu eixo com uma “boa conversa”.

As diferenças administrativas entre o prefeito e o vice têm como foco a situação financeira da Emdurb. Deficitária e ainda dependente do governo central há vários anos, a empresa municipal depende de repasses intragovernamentais, de um lado, e não recebe o que deveria pelos serviços prestados ao Executivo, de outro.

O conteúdo da auditoria, cujo relatório será divulgado até o início de outubro próximo, vai apontar uma dívida - na visão da Emdurb - de mais de R$ 30 milhões a ser paga pelo Executivo. Mas a área financeira do governo central considera outros parâmetros e quer discutir a origem dos débitos. Uma parte dos valores não é reconhecido pela administração central.

As saídas para a solução do déficit da Emdurb também preocupam. No Executivo, a voz mais corrente repete a necessidade de enxugamento. Na Emdurb, a tese mais forte foi a de transferência do setor de coleta de lixo - que responde por 40% da receita interna - para a iniciativa privada. Outra alternativa é a adequação do valor pago pela prefeitura para a tonelada do lixo domiciliar coletado, que está em R$ 35,00 desde 2001.

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