O P-I Branemark Institute foi inaugurado sob olhares esperançosos. Cerca de 50 pessoas com grandes mutilações já aguardam a oportunidade de usufruírem do atendimento a ser prestado pelo centro de implantes para fixação de próteses, que transformou Bauru na capital mundial da técnica de osseointegração.
A expectativa é ainda maior quando o problema é especificamente dentário. A estimativa é de que o grupo de candidatos ao tratamento chegue a milhares de pacientes. A triagem das vítimas de mutilações provocadas por acidentes ou doenças como câncer e malformação começará em meados de outubro.
“Depois do dia 15 de outubro começaremos a fazer o exame, mas (os interessados) já podem nos procurar e deixar o telefone, que faremos contato. Estamos aguardando autorização (para funcionar) da Vigilância Sanitária, o que deve ocorrer em 15 dias”, explica o responsável pela área de prótese do Branemark, o odontologista Carlos Eduardo Francischone.
De acordo com ele, a seleção dos pacientes seguirá a filosofia da entidade, que é filantrópica. Pelo menos 80% dos atendimentos serão gratuitos, conforme prevê a lei municipal 5.174 de agosto de 2004, que definiu a doação da área onde foi construído o prédio da entidade. O custo dos procedimentos variam entre R$ 1 mil e R$ 20 mil, segundo cada caso e serão bancados por doações.
Mas os pacientes que tiverem condições de pagar, também serão atendidos. Não é o caso da mãe da analista de projetos Tatiana Coelho, residente em São Paulo. Assim que soube da inauguração do instituto em Bauru, ela procurou inscrever-se no programa levada especialmente pelas referências do P-I Branemark Institute. “É muito pelo profissional que está a frente”, diz.
Per-Ingvar Branemark não conquistou apenas o respeito pela história construída, mas também carinho daqueales que ajudou a resgatar a auto-estima. É o caso de Débora Rocha Dutra, 25 anos, cujo rosto foi reconstruído. Ela foi acometida por um câncer no nariz. A cirurgia lhe devolveu a fala e o convívio social. “Eu tinha medo de não poder ensinar as palavras para meu filho. Tinha medo também da minha aparência. Como ele iria reagir quando eu o levasse na escola?”, questiona.
Recuperada, ela “resgatou” a própria vida. Os reflexos da cirurgia também se irradiaram em todos os aspectos do cotidiano do dentista Darcy Bernardi Neto que, aos 13 anos, reconstruiu a orelha direita. “Fui um dos pacientes selecionados. Mudou tudo na minha vida”, reitera.
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‘Não poderia ser melhor’
Ao contrapor a expressão “podia ser pior” utilizada com freqüência por Per-Ingvar Branemark, o prefeito de Bauru, Tuga Angerami (PDT), destacou em discurso que a instalação do instituto no município não poderia ser melhor.
“Ela ocorre bem no momento em buscamos uma identidade, uma vocação. Nós precisamos de olhos suecos para perceber que essa é uma cidade que tem vocação bastante forte (para serviços e pesquisas na área de saúde)”, afirmou, durante solenidade. Ele citou as universidades como exemplo.
Branemark operava freqüentemente no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP) e continua docente da pós-graduação da Universidade do Sagrado Coração (USC). “Será um benefício para os nossos alunos. Aqui (no instituto) a participação deles deve ser bem maior”, calcula a reitora da USC, Jacinta Turolo Garcia.
Também aposta numa aproximação o superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas. Até porque, segundo ele, o novo prédio do Centrinho atenderá pacientes com grande perda ósseas e de tecidos. “Para nós, vai ser fundamental”, conclui.