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Oposição reforça aliança contra Aldo

Por Chico de Gois | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - A oposição ao governo na Câmara uniu-se ontem contra o candidato oficial do Palácio do Planalto, Aldo Rebelo (PC do B). No início da tarde, PDT, PPS e PV anunciaram a adesão a José Thomaz Nonô (PFL-AL), que já contava com o apoio do PSDB e do Prona. Com a ampliação da aliança, a oposição acredita que terminará o primeiro turno com pelo menos 145 votos, o que a credenciaria para passar ao segundo turno e disputar a vaga de presidente da Câmara com Aldo. O cálculo é o seguinte: 52 votos do PSDB, 58 do PFL, 15 do PDT, 15 do PPS, 8 do PV e 2 do Prona. Apesar do apoio do PDT a Nonô, o deputado Alceu Collares (RS) manteve sua candidatura. A eleição começa hoje, às 10h.

A cláusula de barreira, que determina que os partidos só podem ter representação na Câmara se obtiverem 5%, no mínimo, dos votos apurados, distribuídos em pelo menos um terço dos Estados, foi um dos fatores que pesaram na decisão dos parlamentares do PPS, PV e PDT. Esses partidos defendem a proposta da Comissão de Reforma Política, que reduz para 2% o percentual mínimo necessário de votos para que as legendas tenham representação na Câmara.

Na entrevista coletiva, Nonô foi questionado sobre o assunto, mas foi reticente. “A obrigação do presidente da Câmara é ser magistrado no processo, e o que me foi pedido pelos partidos foi que, no momento adequado, eu colocasse em votação a matéria”, afirmou, sem entrar em detalhes.

Em seu discurso de agradecimento pelo apoio recebido ontem, Nonô elogiou a unidade de ação dos partidos que aderiram à sua candidatura e aproveitou para criticar, indiretamente, o PT, que estava dividido quanto ao apoio a Aldo. “Eleitoralmente, sinto-me numa posição confortável porque os partidos que nos apoiam o fazem de maneira absolutamente uniforme e é reconfortante constatar isso numa fase da política brasileira em que outros partidos se apresentam tão divididos, tão fraturados, tão plurais.”

Considerado pelo Planalto como pior nome para o governo no caso de vitória, Nonô fez questão de afirmar que não levará adiante qualquer pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Isso é uma visão paranóica, uma visão desprovida de qualquer sentido de realidade”, observou. “A minha vida nesta Casa aponta claramente nesse sentido. E se isso não for suficiente, uma vivência de caráter pessoal: eu sou filho de parlamentar cassado.” E completou: “Não sou aventureiro, não sou golpista e não defendo nenhum tipo de encaminhamento nesse nível.”

Porém, mesmo sinalizando que não fará nenhuma aventura política, o pefelista deixou claro seu posicionamento político. “Sou um candidato da oposição com muito orgulho. Só fascistas, ditadores, míopes politicamente exigem unanimidade.”

Refutando a tese de que seria necessário um candidato de consenso para pôr a Câmara nos trilhos, Nonô deu outra alfinetada no governo. “Não sou nem serei nunca o candidato do consenso. Muito menos de um falso consenso pregado por alguns. E por que o consenso tem de se dar necessariamente por quem respalda o governo? Quero ser o candidato das maiorias.”

Apesar das críticas constantes ao governo, o pefelista não atacou a atuação do Planalto em favor de Aldo. “Não é interferência. Tenho respeito profundo por todos os gestos políticos. Quem enfrenta campanha política não espera um caminho de rosas, refresco dos adversários. Acho absolutamente natural que o presidente Lula procure as pessoas que lhe são mais próximas. Eu tenho um respeito profundo pelo presidente Lula.”

Aldo e PL

A bancada do PL desistiu da candidatura própria à presidência da Câmara dos Deputados e decidiu apoiar o candidato oficial, Aldo Rebelo. A decisão do PL, bancada de 45 deputados, eleva de três para quatro o número de partidos que apóiam o governista na disputa - PL, PT, PSB e PCdoB. Juntas, as legendas somam 162 votos, mas não há garantia que todos os parlamentares votem unidos.

O líder da legenda, Sandro Mabel (GO), foi chamado a conversar com o ministro Jacques Wagner (Relações Institucionais) que, por sua vez, recebeu a incumbência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de garantir o apoio do partido a Aldo.

O convencimento passou pela garantia da liberação do orçamento do Ministério dos Transportes, chefiado por Alfredo Nascimento, indicado pelo PL. “O que queremos é que o ministério do PL tenha condições de fazer bonito”, afirmou Mabel, que nega que o governo tenha oferecido outra pasta à legenda. “A nossa bancada sempre foi mal atendida. O que foi pedido é que se dê uma estabilidade”, acrescentou.

João Caldas (PL-AL) lançou sua candidatura logo que Severino Cavalcanti renunciou ao mandato, mas parte da bancada não o reconhecia como representante do partido. “Ele não é candidato do PL. O candidato que o PL queria era o Inocêncio Oliveira (PE)”, afirmou o ministro Alfredo Nascimento. A bancada chegou a cogitar a possibilidade de lançar Inocêncio, mas a operação do governo barrou a iniciativa.

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