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Maninha e Chico Alencar também deixam o partido

Folhapress
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Brasília - Mais dois deputados federais petistas - Maninha (DF) e Chico Alencar (RJ) - anunciaram a saída do partido e a ida para o PSOL, elevando para cinco o número de parlamentares que seguiram esse caminho na última semana. Eles devem formalizar sua nova filiação até amanhã, juntando-se aos também ex-petistas Ivan Valente (SP), Orlando Fantazzini (SP) e João Alfredo (CE). O PSOL agora terá sete deputados no total, o que lhe dará direito inclusive a ter um líder. O PT baixará para 84, o que o fará ser relegado à condição de segunda maior bancada, atrás do PMDB, que deve aumentar para mais de 90 até o final desta semana.

Ao fazerem o anúncio da mudança ontem, os ex-petistas procuraram suavizar um pouco a imagem de “ultra-radicais” que cultivaram ao longo de meses de embate com o Palácio do Planalto. Prometeram manter pontes com o governo, apoiar projetos positivos e fazer “oposição racional”. “Nosso partido não é um partido soberbo, sectário ou dogmático”, declarou Alencar. O PSOL se prepara para lançar a senadora Heloísa Helena (AL) candidata a presidente no ano que vem e não quer fechar portas para eventuais alianças, até porque precisa superar a cláusula de barreira, de 5% dos votos.

Taticamente, o partido deve atuar em conjunto com outros partidos de esquerda que se situam na oposição ao governo: PPS, PDT e PV, que já formam um bloco. Tais legendas são críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas se comportam com independência e não seguem a orientação da oposição “oficial”, formada por PSDB e PFL. “Vamos fazer uma crítica sem usar o fígado, mas usando a razão. O grande inimigo não é o governo Lula, é a direita”, declarou Valente.

A crítica dos ex-petistas deve se basear em dois aspectos: a política macroeconômica, que reduz o escopo para investimentos na área social e em infra-estrutura, e a política de alianças, considerada “fisiológica”. Mas isso não significa, segundo Alfredo, que não se reconheça a existência de “ações do governo que podem ser valorizadas”. “Há setores do governo que resistem ao atual modelo macroeconômico, de privilegiar o pagamento de juros e o favorecimento do sistema financeiro”, declarou o deputado cearense. Ele mencionou a atuação da ministra Marina Silva (Meio Ambiente) como exemplo.

Alguns dos deputados recém-ingressos na nova legenda, que acaba de ser legalizada pela Justiça Eleitoral, admitem inclusive a possibilidade de apoiar o candidato governista, Aldo Rebelo (PC do B-SP), para presidente da Câmara, na eleição marcada para hoje. O item acabou provocando um pequeno racha na bancada. “Eu pessoalmente voto no Aldo”, declarou Valente. Foi advertido no ato por João Alfredo: “Ainda não discutimos esse assunto”.

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