A mobilização dos bancários por reajuste salarial manteve 23 das 44 agências bancárias fechadas ontem em Bauru. A paralisação de 24 horas faz parte da campanha salarial da categoria, que reivindica reajuste de 11,77%. Se não houver acordo nos próximos dias, trabalhadores podem deflagrar greve por tempo indeterminado a partir da próxima semana.
De acordo com o sindicalista Marcos Silvestre, o movimento de ontem contou com a adesão de aproximadamente 60% dos bancários, como já estava previsto. “Numa esfera de quase 2 mil bancários, consideramos essa adesão bastante expressiva”, afirma.
Alguns bancos chegaram a apresentar liminares para forçar a abertura das agências. O Bradesco, por exemplo, solicitou apoio da Polícia Militar para garantir o acesso dos funcionários às agências. Segundo a polícia, a liminar atribuía multa de R$ 10 mil por dia caso o sindicato tentasse impedir que funcionários entrassem nas unidades. O banco foi procurado para comentar o assunto, mas não quis se pronunciar.
Para outro diretor do Sindicato dos Bancários em Bauru, Marcos Marcos Tadeu Lenharo, a concessão das liminares causa indignação e tristeza. “É um equívoco do Judiciário. O instrumento legal discute posse e nosso movimento é por reivindicação salarial. Estamos exercendo nosso direito de greve numa situação onde há impasse”, defende.
Lenharo salienta que a liminar acaba funcionando como instrumento de pressão contra o movimento. “Os bancos mais uma vez estão sendo beneficiados pela política econômica do governo Lula. Eles obtiveram um lucro de R$ 2 bilhões só no primeiro semestre, tudo às custas da exploração dos bancários e de clientes”, ressalta.
O sindicalista critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lembrando que anos atrás ele estaria na porta dos bancos incentivando a mobilização. “A greve é uma tática conhecida do presidente Lula e agora ele assume uma posição traidora, adotando estratégias que ele tanto abominou no passado”, lamenta.
Pelo menos mais uma instituição também conseguiu liminar semelhante, mas não chegou a usá-la. Segundo sindicalistas, porque os funcionários não apareceram para trabalhar.
A reportagem percorreu várias agências no Centro da cidade e não identificou nenhum tumulto. Silvestre argumenta que a população foi avisada com antecedência sobre a paralisação. “E o dia 28 é tradicionalmente um dia de pouco movimento nas agências”, afirma.
A mobilização dos bancários reivindica reajuste salarial de 11,77%, mais participação nos lucros e resultados equivalente a um salário integral, mais uma parcela fixa de R$ 788,00 e 5% do lucro líquido da instituição.
A proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é de reajuste de de 4%, mais um abono de R$ 1.000,00 (parcela única) e participação nos lucros R$ 788,00, mais 80% do salário individual.
A categoria rejeitou a última proposta e iniciou ações de reivindicação. No próximo sábado, será realizado um encontro em São Paulo para discutir os rumos do movimento. Se não houver acordo nos próximos dias, os bancários podem deflagrar greve por tempo indeterminado a partir do dia 6 de outubro.
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No País
De acordo com a Confederação Nacional dos Bancários (CNB), a paralisação nacional da categoria fechou agências em pelo menos 20 Estados brasileiros, além do Distrito Federal. Apenas Alagoas, Maranhão, Acre, Goiás, Amazonas e Tocantins não teriam aderido à mobilização.
No município de São Paulo, a greve concentrou-se no Centro da cidade, onde todas as 70 agências estariam parcial ou completamente paradas, segundo o Sindicato dos Bancários local. No Rio de Janeiro, a greve afetou o funcionamento de 170 agências, todas localizadas também na região central da cidade.
Até o final da tarde de ontem, não havia registro de confrontos entre bancários e a Polícia Militar. Na semana passada, dois bancários foram presos e um saiu ferido durante manifestação realizada na sede administrativa do Bradesco em Osasco (SP).