As fitas contendo gravações feitas pela Polícia Militar de Araçatuba envolvendo sindicalistas de Bauru num suposto caso de extorsão estão sendo encaminhadas para o Instituto de Criminalística de São Paulo para transcrição e perícia. Cinco membros do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Bauru (Sindtran) foram presos em flagrante anteontem, acusados de obter dinheiro de uma empresa naquela cidade mediante chantagem.
O caso está sendo averiguado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araçatuba. De acordo com o delegado assistente Rodolfo Carlos de Oliveira, a polícia tem mais oito dias para concluir o inquérito. “Depois, a Promotoria poderá oferecer denúncia contra os indiciados”, explica.
A acusação envolve o presidente do Sindtran, Elias Pinheiro da Silva, o conselheiro fiscal da entidade Paulo Henrique Del Rey, o secretário João Antonio Pazoni, o segundo-secretário Mário Aparecido Henrique e o diretor financeiro do sindicato, Benedito Donizete da Silva. Ontem, eles continuavam detidos no Centro de Ressocialização de Araçatuba.
Segundo o advogado Benedito Antonio de Oliveira, o departamento jurídico do Sindtran está tomando as providências cabíveis para obter o relaxamento da prisão. Caso isso não seja conseguido, pode ser impetrado um pedido de habeas corpus para que os indiciados possam responder em liberdade.
Oliveira garante que o ocorrido não altera o funcionamento do sindicato. “O Sindtran tem 23 diretores. Na ausência dos cinco, os outros 18 continuam dando andamento às ações e atividades normais”, afirma. Segundo ele, ninguém foi designado para substituir Elias, que continua assinando e despachando de Araçatuba.
Denúncia
A Polícia Militar vinha investigando a denúncia de extorsão há aproximadamente um mês. Os sindicalistas teriam pedido R$ 80 mil para não se manifestarem contra demissões provocadas por terceirização de serviços em uma empresa de Araçatuba.
Depois de alguns contatos telefônicos, o presidente do Sindtran teria marcado um encontro num restaurante da cidade para tratar da suposta chantagem. As conversas foram acompanhadas e gravadas à distância por policiais disfarçados.
As imagens mostram um representante da empresa entregando R$ 60 mil distribuídos em seis envelopes. Elias teria ficado com dois, sendo os outros quatro distribuídos entre os demais sindicalistas.
Os cinco foram presos em flagrante e estão sendo indiciados por extorsão. Segundo o delegado, se forem condenados, eles podem pegar entre seis meses e 15 anos de prisão.
Na delegacia, os sindicalistas negaram a acusação. Eles argumentam que foram até Araçatuba para levar um documento do sindicato manifestando-se sobre a demissão de funcionários pela empresa e que teriam sido vítimas de uma armação.
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Federação lamenta ocorrido
A Federação dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado de São Paulo, à qual o Sindtran é filiado, informou ontem lamentar o ocorrido em Bauru. “Isso nos surpreende, não é nossa finalidade”, afirma o assessor jurídico e de imprensa da federação, José Alberto Blandy.
“Esse não é o papel do sindicalista. O sindicalista tem que representar a massa trabalhadora em todos os seus direitos, fiscalizar os abusos cometidos pelo patrão, mas de forma correta”, acrescenta.
Segundo ele, apesar da filiação, os sindicatos são autônomos e se a denúncia for confirmada, caberá ao Sindtran aplicar as punições previstas no estatuto local.
“O estatuto da federação prevê o afastamento de pessoas envolvidas em denúncias desse tipo. O senhor Elias Pinheiro da Silva é suplente de um cargo do conselho fiscal da federação. Neste momento (ontem à tarde), nossos diretores estão reunidos e deverão propor o afastamento dele”, informa.