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Prejuízo renovado


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Nos primeiros cinco anos deste “novo” Século 21 (que já está com cara de velho...), a renda dos brasileiros continua crescendo em marcha lenta, registrando a média anual de 1,2% do PIB “per capita”. Embora haja algum progresso em relação ao quinquênio anterior, ainda é um comportamento medíocre, um autêntico vexame porque isso se dá num período de expansão da economia mundial e quando os nossos parceiros preferenciais (Índia, Rússia e China) apresentam taxas de crescimento do PIB superiores a 5% na média anual.

Em matéria de crescimento, os últimos dez anos foram um verdadeiro pesadelo para a economia brasileira, com grave quebra do padrão de vida da maioria da população e perspectivas dramáticas quanto ao seu bem-estar futuro: a média anual de crescimento da renda per capita dos brasileiros entre 1995 e 2005 foi de apenas 0,8%, contra a média de crescimento de 4,6% do PIB nos 50 anos anteriores. No atual ritmo, vai ser preciso esperar três gerações e meia (oitenta e poucos anos) para dobrar a renda dos brasileiros, quando, no período de crescimento vigoroso, a renda praticamente dobrou a cada geração.

Nos contatos que tenho com o público, nas escolas e em palestras, sempre me pedem para explicar as razões da falta de continuidade do crescimento brasileiro. A resposta é que, ao longo dos anos, repetimos os mesmos erros. O principal deles foi negligenciar o comércio exterior. Isso é válido para o Brasil e se aplica a qualquer país em desenvolvimento. Basicamente, o erro acontece na administração da política cambial. Em janeiro de 1995, quando só tínhamos aplausos para o espetacular sucesso do Plano Real no combate à inflação, dei uma entrevista publicada na revista da Fiesp pedindo a atenção para o erro da política cambial que promovia a excessiva valorização do real mediante a imposição de altas taxas de juros. Temia (como afinal se confirmou) a destruição do nosso setor exportador e o endividamento externo, com a conseqüência de paralisar o crescimento da indústria e da própria economia.

O Brasil quebrou em 1998, o “mercado” impôs a desvalorização do Real, a partir de 2000 o comércio exterior brasileiro recuperou o vigor e a economia cresceu acima de 4% em 2004. Aparentemente empolgado com o sucesso, o governo pesou a mão na política monetária, elevando os juros para apressar o cumprimento da meta inflacionária em 2005. Está repetindo o mesmo erro fatal de 1995, valorizando o real apoiado na maior taxa de juro do mundo.

Atinge a meta mas não percebe que, para ganhar oportunisticamente 1% de inflação, está deixando de aproveitar a expansão da economia mundial para acelerar o desenvolvimento brasileiro. Não atina, igualmente, que os investimentos para a exportação já estão sendo reduzidos. Mais uma vez é preciso insistir que a conseqüência disso é a estagnação da economia que vai tornando insuportável para a população o custo desse processo de estabilização. Faz 11 anos que crescemos míseros 2,6% ao ano, o que não resolve os nossos verdadeiros problemas que são a recuperação do emprego e o crescimento da renda per capita. As brincadeiras cambiais sustentadas por juros escorchantes, já custaram pelo menos 20% do PIB entre 1995 e 2005.

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP e professor emérito da USP

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