A partir da próxima semana, os exames de leishmaniose em cães devem ser retomados em Bauru, mas num volume inferior à demanda do município. Há quatro meses, a cidade suspendeu a coleta de amostras de sangue dos animais por causa da falta de kits para a realização dos testes.
Na ocasião, o laboratório Bio Manguinhos, único no Brasil a fabricar este tipo de produto, alegou problemas com o fornecimento da matéria-prima. A dificuldade foi sanada, mas a produção dos kits será inferior à anterior. De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, para não preterir a fabricação de outros medicamentos importantes, o laboratório deixará de centrar todos seus esforços na confecção dos kits.
Diante das dificuldades, o Ministério da Saúde enviou em agosto deste ano, para todo Estado de São Paulo, um volume de kits para a realização do teste Elisa capaz de verificar apenas 10.260 amostras de sangue. Também encaminhou material suficiente para detectar leishmaniose em 24 mil cães por meio do exame Rifi (reação de imuno- fluorescência indireta).
Os dois tipos de testes são realizados pelo Instituto Adolfo Lutz, sendo que um confirma, ou não, o resultado do outro. Mas o material encaminhado para Bauru na época foi suficiente apenas para atender a demanda reprimida, ou seja, para testar as amostras de sangue já colhidas. Até junho, o Centro de Controle de Zoonoses realizava, em média, 200 inquéritos sorológicos (coleta de sangue animal) ao dia e cerca de 4 mil ao mês.
A desproporção entre os números deve ser mantida inclusive quando a nova remessa de kits for distribuída pela Secretaria de Estado da Saúde, que teria recebido material capaz de realizar outros 19 mil exames para detecção de leishmaniose.
A previsão é de que ele seja recebido pelos municípios paulistas em meados da próxima semana. Porém, a quantidade a ser encaminhada a cada localidade ainda não foi definida pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), que ainda analisa a demanda de cada cidade.
“Não recebemos informação nenhuma (do Adolpho Lutz para a retomada das coletas). A situação é problemática porque não conseguimos identificar os cães positivos”, afirma Mário Ramos, Diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde.
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Risco da doença
Nos quatro meses em que o município suspendeu a coleta de amostras de sangue dos animais por causa da falta de kits para a realização dos testes, cerca de dez novos casos de leishmaniose foram registrados em Bauru, incluindo aqueles cujos sintomas foram notados no ano passado.
Só neste ano, 17 casos de leishmaniose visceral americana em humanos foram confirmados, com duas mortes, e três notificações de leishmaniose tegumentar no ano. No ano passado os registros chegaram a 29, com três mortes. Para evitar que o total de vítimas cresça, a administração municipal mantém o trabalho de busca ativa em humanos. Os agentes de controle de doenças passam nas casas para verificar cidadãos com eventuais sintomas.
O Departamento de Saúde Coletiva também não interrompeu o diagnóstico ambiental, cujo objetivo é percorrer casas e terrenos para identificar eventuais criadouros do mosquito palha, transmissor da doença. Ele se prolifera em material em decomposição.
A leishmaniose é uma doença infecciosa que afeta principalmente cães e humanos. No homem, os sintomas da doença são febre persistente, aumento do abdome, emagrecimento, fraqueza e tosse seca.