Em Bauru, a pedagoga especializada em deficiência visual do Cedalvi Suzana Rabello dá cursos de orientação e mobilidade a defientes visuais. Porém, a área de atuação do Cedalvi é voltada a crianças até 12 anos, o que não inclui adultos que ainda não tenham o curso.
“Você começa a trabalhar os estímulos desde pequenininho, bebê mesmo. A criança vem com o diagnóstico oftalmológico e dependendo do caso (pessoas cegas, com visão subnormal ou baixa visão) é um tipo de programa. Por exemplo, a pessoa que tem visão subnormal localiza fontes de luz, consegue distinguir claro de escuro, na cegueira não, pode até perceber a luz, mas não localiza.”
Ela aponta a necessidade do empenho dos três principais envolvidos: o deficiente visual, os pais e os professores. “Os pais precisam ter em mente que educam os filhos para o mundo, eles precisam aprender a ser mais independentes e para isso levar o filho para participar de cursos, assistir apresentações, circos e outras atividades. Ele não vê, mas ele ouve, sente cheiros, se comunica. Sei que é uma realidade difícil, mas é preciso essa compreensão.”
No Cedalvi, Suzana conta com um grupo de mães para desenvolver materiais lúdicos alternativos que facilitem o aprendizado e a brincadeira das crianças. “Eles têm que ter noção das coisas, de pareamento. Garfo com garfo, colher com colher”, exemplifica.
Cristiane Momesso, mãe de Amanda, que freqüenta o Cedalvi desde bebê, valoriza as ações da instituição. “No começo, é muito difícil, parece que a criança não vai aprender nunca. E, de repente, surgem tantas possibilidades, o aprendizado vai acontecendo, mas não é fácil. Procuro levá-la para fazer várias atividades, passear, brincar. Mas tudo também é mais caro. Uma bola com guizo é mais cara que outra comum, um dominó é mais caro, o relógio, tudo. Até o papel para a máquina de escrever em braile é mais caro. Compro em São Paulo, porque aqui o preço é elevado.”
Cristiane comenta que somente agora sua filha recebeu dois livros em braile. Ela acha muito importante a conscientização das pessoas: “É preciso manter as calçadas em bom estado, não deixar o material de construção atrapalhando a passagem. Isso sem falar em lixeiras e outros obstáculos.”
Ela finaliza incentivando as pessoas a se comunicarem mais com os deficientes e buscar parâmetros para facilitar essa comunicação. “Descreva, faça comparações. Como é a nuvem? É leve e parece um algodão. Não dá para colocar a mão em uma nuvem. Como é o vermelho? É uma cor quente, como o fogo.”
• Serviço
O Cedalvi funciona na rua Benedito Moreira Pinto, 8-81, no Jardim Panorama. Os telefones são (14) 3234-7884 e 3235-8101.
Bauru também conta com o Lar Escola Santa Luzia para Cegos, localizado na avenida Castelo Branco, 24-9, telefone (14) 3226-1977, e também na Gerson França. 11-61, telefone (14) 3223-1754. Há cursos de alfabetização, massoterapia e técnicas de empalhamento.