A economia do País não foi afetada pela crise política, mas também não vai gerar 10 milhões de empregos prometidos pelo PT durante a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A constatação é do delegado regional do Trabalho no Estado de São Paulo, Heiguiberto Guiba Della Bella. De acordo com seus cálculos, até o final do ano que vem serão gerados cerca de 4,5 milhões de empregos.
“Em 38 meses de governo, geramos 3,3 milhões de empregos. A cada mês geramos acima de 100 mil novos empregos. Em agosto passado, foram computados 131 mil novos empregos. É uma proporção crescente. Vamos atingir, ao final do governo, 4,5 milhões de empregos”, prevê.
Para Guiba, os números são expressivos se comparados com governos passados. “Além disso, estamos ampliando os consórcios da juventude, o chamado Primeiro Emprego, através de parcerias com as administrações públicas. Estamos numa frente para tentar gerar o maior número de empregos da história do Brasil”, comenta.
Na análise dele, o presidente Lula, em nenhum momento, prometeu a geração de 10 milhões de empregos durante a campanha do PT à Presidência da República. “O Lula disse que havia a possibilidade de o País alcançar 10 milhões de empregos, mas não prometeu”, garante.
O delegado do Trabalho afirma, porém, que os empregos gerados pelo governo são “decentes”. “São empregos com carteira de trabalho assinada, direitos trabalhistas. É isso que faz o Brasil crescer.” Para atingir a meta de 4,5 milhões de empregos, Guiba defende a redução da taxa de juros e do chamado Risco Brasil, índice que mede a vulnerabilidade da economia no Exterior.
Para o delegado do Trabalho no Estado de São Paulo, essa falsa constatação de que o País está em crise é resultado da agressividade de parte da imprensa e da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu afirmo: o Brasil não está em crise. Crise num país é baderna, é saque, é manifestação de rua. O País está gerando emprego e desenvolvimento. A crise é localizada no Congresso Nacional”, avalia. Ele prega a cassação dos deputados envolvidos nas denúncias de irregularidades.
“Se houve desvio de conduta, esses parlamentares devem ser cassados. As Comissões Parlamentares de Inquérito estão trabalhando no assunto. A crise também está no PT”, comenta.
Guiba diz que o Ministério do Trabalho desenvolve várias frentes de atuação para geração de empregos. “Ao assumirmos o Ministério do Trabalho, mudamos um pouco esse caráter intervencionista. O ministério atuava como interventor. Interveio em grandes sindicatos através de mandados de prisão. Hoje nós temos um conselho sindical”, comemora.
Segundo ele, essa nova mentalidade fez diminuir o número de acidentes de trabalho. “Proibimos as prensas de chavetas que mutilavam os trabalhadores. Estamos diminuindo o número de trabalho infantil”, acrescenta.
O delegado do Trabalho no Estado de São Paulo acredita que a reforma trabalhista não será votada neste ano pelo Congresso Nacional. “Há um projeto de reforma que já passou pelo crivo dos trabalhadores e das centrais sindicais. Há muitas divergências. A Central Única dos Trabalhadores, a CUT, apóia quase 100% da proposta, a Força Sindical idem. Mas se pegarmos as federações, confederações e os sindicatos não filiados às centrais, há muitas discordâncias”, explica.
Na análise de Guiba, a proposta trabalhista está “atrasada” e os debates estão “tímidos”. “Fui orientado pelo ministro Marinho (Luiz Marinho, ministro do Trabalho) a refazer as discussões sobre a reforma. O ministro acha que é possível encaminhar as duas propostas para o Congresso.”