Geral

Apae e Senai selam parceria inédita

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) divulgaram anteontem um novo programa de parceria que visa oferecer cursos de profissionalização a portadores de deficiências e promover sua inclusão definitiva no mercado de trabalho. É o projeto “Senai e Apae Construindo o Futuro”, que conta ainda com o apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi), Procuradoria Regional do Trabalho e do escritório regional do Ministério do Trabalho.

De acordo com a coordenadora do programa de educação profissional da Apae, Rose Maria Carrara Orlato, essa é a primeira parceria com o Senai com foco na qualificação das pessoas atendidas na entidade. Ela explica que os alunos que participarão do projeto, todos maiores de 16 anos, já integram programas de educação profissional da Apae.

“Eles já fizeram cursos de qualificação, alguns fazem ou já fizeram estágios profissionalizantes, já tiveram experiências em empresas. Todos possuem vivência nessa área”, diz. Os selecionados, todos portadores de deficiência mental, integrarão turmas de encadernação ou serigrafia no núcleo gráfico do Senai, em turmas de até 16 alunos.

“Essa iniciativa completa a missão de inclusão da pessoa com deficiência, pois há muito tempo a Apae visa essa parceria com o Sistema S. O Senai tem renome em qualificação profissional, o que vai permitir a certificação dos alunos e facilitar sua colocação no mercado de trabalho”, ressalta Rose.

Para o diretor das unidades do Senai de Bauru e Lençóis Paulista, Reinaldo Munhoz, o projeto é decisivo para que os portadores de deficiência sejam reconhecidos como profissionais capazes, dotados de talento e criatividade. “É um programa conjunto, com nossos professores e os profissionais da Apae. Os profissionais do Senai passaram por uma reciclagem e serão supervisionados permanentemente. As turmas ainda serão monitoradas pelos alunos do 3.º semestre do curso técnico. É um compromisso da escola, que envolve a todos”, ressalta.

Lei e realidade

O projeto “Apae e Senai Construindo o Futuro” tem o objetivo de contemplar duas obrigações das empresas em sua atuação: a lei 8.213, que estabelece o percentual de pessoas com deficiência para empresas com mais de 100 empregados; e a lei 10.097/2000, que define que todo empregador – com exceção de micro e pequena empresa – é obrigado a contratar o equivalente entre 5% e 15% de seu quadro em aprendizes.

Para o procurador regional do Trabalho, José Fernando Ruiz Maturana, um dos maiores problemas para a inserção da pessoa portadora de deficiência é a alegação das empresas da falta de mão-de-obra capacitada. “A iniciativa do Senai e da Apae vai ao encontro dessa falta de mão-de-obra, pois a iniciativa prepara os adolescentes e adultos nos cursos da indústria gráfica e abre campo para contratação. Eles podem começar como aprendizes e posteriormente ser efetivados”, completa.

Além do cumprimento da lei, Maturana observa o papel social do programa. “Mesmo as empresas que não estariam obrigadas a contratar os trabalhadores vão notar que, com a capacitação, eles têm rendimento igual a qualquer outra pessoa. É uma quebra do preconceito de colocar um portador de deficiência na sua empresa. A Apae já tem cerca de 200 pessoas preparadas, mas apenas 40 estão no mercado”, indica o procurador.

Na visão de Munhoz, o mercado já se mostra favorável a essa situação. “A consciência do empresariado bauruense já se volta para essas vagas, não só pela lei, mas porque há profissionais habilitados e com competência”, analisa.

Além de aulas em dois dias da semana, os alunos selecionados ainda terão um dia de esporte, natação e recreação na unidade Altos da Cidade do Sesi, com acompanhamento de profissionais da Apae. “Essa iniciativa é um marco, porque encaminhar profissionais pela Apae é uma coisa, mas pessoas qualificadas por uma escola técnica de renome como o Senai têm peso maior, facilita a inclusão. Acreditamos que essa seja a abertura de um futuro maior, de um projeto que partiu do Senai”, finaliza Rose.

Comentários

Comentários