Das 130 pessoas interessadas em atuar voluntariamente no Hospital Estadual “Arnaldo Prado Curvêllo”, de Bauru muitas viveram a desgastante experiência de acompanhar familiares internados em hospitais. A secretária Jeane Carla Domingues nunca atuou como voluntária, porém percebeu os efeitos benéficos dos colaboradores enquanto acompanha, há um ano, o tratamento da mãe no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor). Desde então, a atuação de voluntários no Incor despertou em Domingues o desejo de agir. “Isso me chamou a atenção a participar de projetos e ajudar na carência de pacientes e familiares”, justifica.
A também secretária Samantha Maira do Nascimento se interessou em ser uma colaboradora ao sentir a falta de estímulo enquanto esteve com a mãe internada em um hospital de Bauru. “Sei o quanto é ruim ficar no hospital e não ter com quem conversar. As pessoas ficam mais carentes”, argumenta. Ela acrescenta que nunca trabalhou como voluntária, mas quer, se for escolhida, para aprender com as lições de vida dos pacientes e familiares.
O professor Eder Trezza, presidente da Comissão de Humanização do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, avalia que o voluntário tem que atuar como “uma ponte entre a comunidade e o sistema de atendimento”.
Ele explica que as pessoas sentem a necessidade da humanização quando quem está hospitalizado é seu parente. “Ele está vivendo aquilo e a gente tenta fazer com que o voluntário tenha esta sensibilidade, sem ter alguém da família doente no hospital.”
Conforme Trezza, há oito anos o Hospital de Clínicas tem projeto de voluntários que hoje são mais de 130, com predominância de mulheres. As pessoas atuam no hospital em contato com doentes ou em casa produzindo artesanato com renda revertida para os pacientes. “O voluntário que fica em casa está ajudando sem nunca ter ido ao hospital. Quando tem festinha ele é convidado, tem retorno e recebe relatório das atividades”, ressalta Trezza.