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Trapalhadas e escândalos que doem no bolso do cidadão


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Seria cômica se não fosse trágica a atual crise política que assola o Brasil. Longe de mim, fazer julgamentos antecipados e condenar a priori os envolvidos nos escândalos, mas como cidadão brasileiro e representante de uma categoria que lida com a ciência dos números, os empresários contábeis, não posso virar as costas a esta triste realidade pela qual estamos passando.

O Partido dos Trabalhadores, que era a “esperança” do País, está provocando uma verdadeira “lambança nacional”. São escândalos atrás de escândalos: denúncias de corrupção, informações não contabilizadas, caixa 2, paraísos fiscais, favorecimentos aos “companheiros” de outras jornadas... Enfim, uma verdadeira desmoralização política, onde milhões e milhões de reais escoam pelos ralos do submundo político, como se representassem apenas o custo de xícaras de café, enquanto quem paga a conta, o setor produtivo e os cidadãos, assistem a tudo inertes, à mercê da benevolência e da questionável justiça dos que se julgam a si mesmos.

Enquanto o dinheiro público é gasto de forma desonesta e irresponsável, as empresas pagam arduamente a conta, sacrificando investimentos em tecnologia, em geração de empregos e em qualificação profissional. O Brasil tem hoje uma carga tributária da ordem de 41% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a média de tributos dos países em desenvolvimento é de 18%. E não posso deixar jamais de registrar outras faces perversas dos impostos: a enorme quantidade de normas, decretos e portarias editadas diariamente pelas três esferas do Poder (Federal, Estadual e Municipal) - hoje são 74 tipos diferentes de impostos, taxas e contribuições-, e a descomunal burocracia envolvida na apuração e recolhimento de tributos.

A conclusão a que chego é que trabalhamos todos os dias para sustentar uma máquina falida, faminta por arrecadação, que usa como argumento dar suporte social a uma Nação que recebe muito pouco e carece de saúde, educação, segurança, transporte público e tantas outros serviços públicos devidos a seus filhos.

O País, creio, não merece tamanha desfaçatez e irresponsabilidade administrativa, ou merece? Há quem culpe a passividade, o pouco envolvimento político e a delegação ao poder público, próprios do brasileiro, que se recusa a “sujar as mãos” nos obscuros corredores palacianos. Contudo, há de se considerar que a maioria dos eleitores é vítima (muitas vezes por desconhecimento de causa) de massivas campanhas publicitárias, ludibriadoras da boa-fé e da ingenuidade do eleitor, que, inculto e desinformado, também por culpa de governos anteriores que não investiram em Educação, tornam-se presas fáceis e vulneráveis aos apelos de campanhas e às falsas promessas eleitorais.

Terrível e desolador é este cenário, que não nos dá perspectivas de futuro e nem de como terminará esta imensidão de denúncias de corrupção e de mau uso do dinheiro público que está corroendo as estruturas das instituições e atrapalhando o desenvolvimento do País. E assim vamos. Contudo, um fato que muito e verdadeiramente me preocupa é que o presidente Lula ainda pensa em reeleição!

O autor, Antonio Marangon, é presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo - Sescon-SP

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