Há uma ojeriza generalizada por política e políticos - principalmente nestes últimos meses. A imagem que o povo tem é de embrulhação, vantagens pessoais, apropriação do dinheiro público. E o povo tem razão. Política tem sido um balcão de negócios. Poucos são os políticos honestos, decentes, éticos, santos. A maioria vê a política como empreendimento, raros a vêem como pastoreiro, do povo. Ademais, a política foi reduzida à política partidária. Acontece que o partido é sempre parte de um todo, o partido não esgota toda a realidade da política, que é multifacetada.
Mesmo você não querendo, sua posição na sociedade é sempre política. Se você se omite, você favorece a situação dominante. Você tem de escolher. E a escolha é determinante pela pergunta: quem se beneficia com a minha decisão? São os ricos ou os pobres, o patrão ou o trabalhador, as elites ou as classes populares?
Aí vem aquela frase de um sábio e grande poeta de fama mundial: “Na política, os homens rolam de um lado para outro, como o doente no leito, porque acreditam que dessa forma encontrarão uma posição melhor...” E vamos citar outra do escritor espanhol Francisco de Quevedo: “Se o ano é fértil em trapaças, não há celeiros no inferno onde recolher o fruto de um mau político”...
João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa nº 2069