Polícia

Cozinheiro é morto com mais de dez tiros no Jardim Carolina

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os moradores do Jardim Carolina compararam o bairro aos morros cariocas, anteontem à noite. Com cerca de 13 tiros, o cozinheiro André Luiz Rodrigues, 30 anos, foi morto na quadra 10 da rua Adante Gigo. Ele morava no núcleo habitacional José Regino, com a esposa Eva Michele Lucia Simeão, 29 anos.

Apavorada, ela estava próximo ao corpo do marido, quando a Polícia Militar (PM) chegou no local. A mulher contou que o carro do casal teria quebrado e que Rodrigues pediu ajuda a uma pessoa que passava na rua. O auxílio teria sido prestado, mas percorrido alguns metros, o veículo voltou a apresentar defeito.

Mais uma vez, Rodrigues teria procurado a cooperação de terceiros. No entanto, teria sido interpelado por várias pessoas, que passaram a persegui-lo e atirar na direção dele. Rodrigues foi alvejado por cerca de 13 disparos, informa o Instituto Médico Legal (IML). Ele morreu em decorrência de traumatismo craniano e perfuração no intestino. Nove dos tiros o atingiram na região da coxa, próximo às nádegas. Os disparos penetraram na cavidade abdominal.

Ele também foi alvejado na mandíbula, sendo que a bala penetrou no cérebro. Foi ferido ainda na boca e na região cervical. Próximo ao corpo, a polícia localizou quatro cartuchos calibre 38, intáctos. Após a perícia, mais dois projéteis deformados e sete fragmentos de bala com tamanhos diversos foram encontrados.

A polícia ainda não tem pistas dos autores do crime. Transtornada, Eva não conseguiu descrever as pessoas envolvidas no homicídio, conforme consta no boletim de ocorrência registrado. Procurada pela reportagem, ela disse que não falaria sobre o caso. De acordo com a PM, a vítima tinha passagem pela polícia. A ocorrência será investigada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que aguarda o laudo do IML.

Por causa da concentração dos tiros nas proximidades nas nádegas, o titular da DIG, J.J. Cardia, não descarta a possibilidade do homicídio ser passional, porém destaca que os autores podem ter adotado a estratégia para confundir a polícia. O homicídio elevou para 32 o ranking de mortes violentas registradas em Bauru neste ano, segundo os cálculos da reportagem.

Para a Polícia Civil, o número chega a 30. Os índices não são coincidentes porque o JC relaciona todas as pessoas mortas em situação violenta, inclusive as que morreram dias após o fato, situação que recebe outra tipificação para a polícia. O assassinato anterior ocorreu há quase um mês no Parque Santa Edwirges, quando um homem foi encontrado morto com tiro na cabeça.

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Morro carioca

Embora a maioria dos vizinhos alegue não ter visto nem ouvido nada, dois moradores do Jardim Carolina compararam o bairro aos morros cariocas. “Eu estava assistindo televisão, quando ouvi os disparos. Eram tantos que davam a impressão que atiravam a esmo”, conta uma moradora, que pediu para não ser identificada.

Ela, assim como o vizinho, ouviu uma mulher gritando após a ocorrência, possivelmente a esposa da vítima. “Estava rolando um show de pagode no bar (quase em frente onde o corpo foi encontrado). Saiu todo mundo correndo. Acabou rapidinho. Parecia favela do Rio de Janeiro”, reitera. Ainda assim, ambos os entrevistados classificam o Jardim Carolina como tranqüilo e bom para morar.

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