Quatro adolescentes com idade entre 14 e 17 anos foram flagradas no sábado à noite num ponto tradicional de prostituição em Bauru, no Jardim Higienópolis. Três delas confirmaram aos policiais militares (PM) que permaneciam no cruzamento da avenida Nações Unidas com a rua Benjamin Constant para fazer programa. A mais nova, no entanto, alegou apenas cheirar “tinner” na companhia das amigas.
Junto com elas, a PM localizou uma moça de 20 anos, moradora do mesmo bairro das meninas. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) investigará se a mulher tem relação com as adolescentes. Ela poderá responder por indução de menores à prostituição ou exploração sexual, caso fique comprovado no inquérito que ela tenha sido favorecida pela situação.
Quando os policiais militares abordaram o grupo, elas mostraram o dinheiro obtido com o exercício da atividade. A mais nova também apresentou a garrafa plástica com tinner, que momentos antes tentava esconder. Ela, assim como as companheiras com idade inferior a 18 anos, serão apresentadas ao Ministério Público, em dezembro. Uma delas será encaminhada pela mãe. As outras, pelo Conselho Tutelar.
De acordo com a presidente do órgão, Sandra Cristina Ferreira, das três que serão encaminhadas por ela, duas são acompanhadas pelo conselho há cerca de três anos. “A história delas não é muito diferente. A família nos procurou porque elas ficavam pela rua, pedindo dinheiro e usando tinner. Fizemos tudo o que foi possível. Encaminhamos para tratamento, para a escola, para programas. Demos orientação aos pais e a elas”, conta.
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Controle
No sábado à noite, quando a presidente do Conselho Tutelar, Sandra Cristina Ferreira, entregou as adolescentes às suas respectivas famílias, as meninas conseguiram fugir. A dificuldade de controlá-las também foi admitida pelos parentes da caçula.
Os tios contaram que a garota tem tudo em casa, inclusive a atenção da mãe e do padrasto. Não acreditam que o problema seja decorrente de falta de oportunidades, comum nos bairros mais pobres.
Mesmo assim, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social vai estudar um modo de atender as adolescentes. Atualmente, a pasta dispõe de um convênio no bairro para atender crianças de 7 a 14 anos. Elas recebem apoio socioeducativo. Também oferece programa de geração de renda. “É um problema que a gente vai ter de dar conta. Vamos ter de pensar, eu desconhecia (esta realidade)”, diz a titular da pasta, Egli Muniz.
No entanto, de acordo com o juiz da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, os casos não são tão raros assim. Ele lembra que, há cerca de três anos, as prostitutas que trabalham na rua Ezequiel Ramos, no Centro da cidade, foram relacionadas. Na época, aproximadamente quatro adolescentes foram identificadas.