Tribuna do Leitor

Reforma previdenciária


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Agora que as coisas estão ficando mais transparentes, graças à mídia, fica bem claro a que custo foi aprovada a reforma previdenciária, usando-se o jogo sujo do mensalão e da barganha (vide CPIs), o que põe em dúvida a própria legitimidade dessa reforma, que teve por objeto o desmonte do serviço público e o massacre dos servidores públicos, principalmente aposentados e pensionistas, cujos vencimentos e proventos viraram poeira, castigando gente que passou quase uma vida inteira de dedicação ao serviço público.

Nem no tempo da famigerada ditadura militar se presenciou tamanha hediondez e crueldade com o flagrante desrespeito ao parágrafo 4.º do artigo 60 da Constituição Federal, cujo dispositivo resguarda direitos adquiridos. São cláusulas pétreas, atropeladas e estupradas pelos nossos atuais governantes, legisladores e até pelo Supremo Tribunal Federal (STJ), “ex-guardião” da Constituição. Nelson Jobim, presidente do STJ, vem à imprensa e declara que o governo ganhou a maioria das pendências julgadas por aquela corte, dizendo que as decisões foram de caráter político/administrativo, priorizando o interesse econômico da União e Estados. Pergunto onde está a autonomia e independência dos poderes da União, expressos no artigo 2.º da nossa Carta Magna, que deveria ser respeitada e estar em vigor?

A democracia é o melhor regime político. Entretanto, ela se torna uma faca de dois gumes, porque, em nome dela, o povo elege seus representantes como também os renova, no aspecto positivo. Mas há o aspecto negativo. É quando estamos assistindo governantes federais e dos Estados se elegendo democraticamente e, depois de eleitos, se transmudam em ditadores, fazendo do Executivo o poder forte, que tem a chave do cofre, desfigurando o Poder Legislativo, tornando-o subserviente, um apêndice do Executivo, usando meios como a barganha, o rolo compressor e outras imoralidades. Ó Deus, que falta estão fazendo Ulisses e Montoro, nestes tempos de reforma previdenciária! Eles que governaram democraticamente, verdadeiros exemplos de democratas, sempre respeitando a Constituição, o serviço público e seus servidores.

Waldo Cyro Geraldi - RG 1.365.909-1

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