O fim do prazo fixado em lei para que os políticos estejam aptos a disputar a eleição de 2006, a exatamente um ano da busca pelos votos, esquentou as articulações de nomes e legendas e deu uma cara mais definida à lista de pré-candidatos cogitados em Bauru. Com a definição de quem fica em que legenda, os filiados interessados em uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembléia Legislativa (AL) iniciam a romaria rumo à obtenção da legenda.
Entre os que estarão com o registro de candidato na cédula eleitoral de 2006, o nome do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) continua sendo o mais fácil de apontar. O prazo para que os interessados em disputar a eleição se filiassem a uma legenda encerrou-se no último sábado, mas a presença de Tobias como candidato a deputado é tida como certa há meses.
Faltaria apenas esperar o desenrolar das discussões no ninho tucano para se saber com quem Tobias vai dobrar e para qual cargo. A princípio, o deputado tentaria reeleição à Assembléia. O objetivo só poderia sofrer alteração se o governador Geraldo Alckmin for escolhido pelo PSDB para tentar ocupar o lugar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste caso, Alckmin poderia convocar o deputado para engrossar a chapa à Câmara dos Deputados.
Enquanto isso não se resolve, o vereador Marcelo Borges (PSDB) continua animado com a possibilidade de tentar vôo mais alto. “A definição sobre eu ser candidato a federal ou estadual depende do Pedro. O que ele decidir, está decidido”, comenta. Mas, no ninho tucano, Borges ainda terá de convencer os correligionários e ainda amarrar suas intenções com as pretensões de outros nomes que podem estar na lista de candidatáveis, como o presidente do PSDB, Caio Coube, o presidente da Câmara Municipal, Antonio Carlos Garmes, e outros que ainda podem se posicionar.
Se no PSDB a lista de cogitados aumenta, no PMDB a amarração parece mais bem encaminhada neste momento. Com a filiação do secretário de Esportes, Antonio Carlos Barbosa, e a manutenção do vereador Rodrigo Agostinho nas fileiras da legenda, a dobradinha estaria bem desenhada.
Resta saber se as conversas vão produzir resultado entre o técnico da seleção Brasileira de Basquete e o ambientalista. O vice-prefeito, Renato Purini, já disse que não é candidato em 2006, afirmação que, por sinal, foi fundamental para que Rodrigo continuasse no PMDB com chances de obter legenda para a próxima eleição sem ter de passar por eventual disputa interna.
Conquistar legenda, por sinal, ainda pode ser a maior dificuldade do ex-prefeito Nilson Costa se quiser mesmo disputar uma das 94 vagas da Assembléia Legislativa. Nas últimas semanas, Nilson dedicou boa parte de seu tempo com a assinatura de uma ficha de filiação que lhe trouxesse alguma condição de se eleger. Opções de partidos nanicos até surgiram. Mas, de olho nas regras do preenchimento de cadeiras, o ex-prefeito bateu às portas do PTB, mas acabou assinando com o PPS, de onde tinha saído com críticas do cacique estadual, deputado Arnaldo Jardim.
Falando em ex-prefeitos, integrantes da cúpula do PV já citam abertamente o nome de Tidei de Lima como candidato a deputado pelo partido, seguido do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Luiz Carlos Valle. Porém, ainda não se sabe se Tidei está apenas deixando seu nome na onda ecológica-partidária sem, contudo, deixar apontado se vai ou não sair à caça de votos em 2006.
O vereador Primo Mangialardo (PV), por exemplo, garante que não é candidato a nada em 2006 e arrisca mais. “Para ser deputado tem de ter recurso financeiro e nome com viabilidade concreta de se eleger, senão a cidade perde com inúmeros candidatos e fica de novo sem representatividade”, opina. Ele reconhece o potencial dos nomes dos colegas de partido, mas espera que a cidade concentre energia em poucos nomes.
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Lista imensa
O PSB sai pelas ruas dizendo que terá chapa completa, a exemplo de partidos como o PT. Entre os socialistas, a dúvida continua sendo em quem se arriscaria para tal tarefa. Uma corrente, por sinal, já fala em apoiar candidato de Agudos, ligado ao prefeito Carlos Octaviani. No PT, os nomes mais cogitados, por enquanto, são novamente o da presidente municipal, Estela Almagro, e do sindicalista Roque Ferreira.
Aliás, em se tratando de dobradinha, o cacique do PDT, Paulinho Pereira, da Força Sindical, já telefonou várias vezes para o presidente municipal da legenda, Faria Neto, dizendo que quer candidato a federal e estadual em Bauru. “O Paulinho vem dizendo que o PDT não abre mão de ter candidatos para as duas eleições em cidades com mais de 100 mil eleitores. Ainda mais em Bauru, que tem mais de 200 mil habitantes, e o prefeito é do PDT. Mas, vamos conversar, ver quem são os nomes e avaliar se há chance real”, pondera o vereador Faria.
A lista dos “cogitados” já é extensa. O PFL tem lembrado de Dudu Ranieri como deputado. E o vereador Paulo Eduardo Martins se arrisca a indicar que se “houver estrutura financeira” também participa da eleição. Independente desse questão, o recém criado PSOL já fala no ex-vereador Isaias Daiben como candidao a candidato a deputado. A legenda surgiu de dissidentes do PT.
O vereador e evangélico Pastor Luiz Barbosa, que está no PTB, menciona que, por enquanto, não há inscrições para o outro novo partido nacional, o PMR, ligado a membros da Igreja Universal do Reino de Deus. Assim, os ex-integrantes do PL, por exemplo, podem não ter candidatos locais em 2006.
O PP, de Paulo Madureira, prefere que o caldeirão político esquente um pouco mais. “Vamos avaliar o quadro e analisar as potencialidades das candidaturas e como fica o quadro regional para definir”, cita Madureira. Ampliam a enorme lista de cogitados interessados e inúmeras outras legendas, com ou sem expressão ou vida orgânica partidária.
Com tantos interessados, o que se sabe, desde já, é que o acesso à cadeira pode ficar mais atrativo a poucos, uma repetição da distorcida regra do jogo estabelecida no País, cujo processo não deve sofrer alteração na hora de se definir as candidaturas, apesar da crise e dos apelos pela reforma política.