Economia & Negócios

Estado de São Paulo concentra 40% dos salários mais altos de todo Brasil

Por Alceu Luís Castilho | Correspondente do JC em Brasília
| Tempo de leitura: 3 min

Apenas 2 milhões de pessoas no Brasil ganham acima de 10 salários mínimos. Entre elas, 60% estão na região Sudeste. Mais: 40% do total, sendo que 830.117, estão no Estado de São Paulo. Isso significa mais do que a participação paulista no bolo completo dos empregos formais, restrita a 29% dos 29 milhões de empregos no Brasil com carteira assinada. O Nordeste concentra o maior número de trabalhadores com renda de até três salários mínimos: nessa região, 78% dos assalariados recebem até R$ 900,00.

Os dados, relativos a 2003, foram divulgados ontem em Brasília pelo Serviço Nacional da Indústria (Sesi), após compilação de informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Mais da metade (62,2%) ganham menos que três salários mínimos.

Entre essa casta de “privilegiados” com mais de dez salários mínimos, há ainda uma diferença de gênero. No Brasil, quem ganha mais de R$ 3.000,00 (corrigindo o salário pelo valor atual) representa 6% do total de trabalhadores formais. No caso dos homens, essa porcentagem aumenta para 7,1% (há 1,4 milhão no Brasil). Entre as mulheres, cai para 4,9% (são somente 670 mil mulheres bem remuneradas).

Na faixa entre 5 e 10 salários mínimos, razoável para o padrão brasileiro, há 1,4 milhão de trabalhadores paulistas no setor formal. Isso também representa 40% do total do País. Entre 3 e 5 salários mínimos, a participação paulista cai para 37,7%. Em números brutos, há 1,8 milhão de paulistas com essa renda – menos que os 2,2 milhões de pessoas no Estado recebendo entre 5 e 10 salários mínimos ou mais que 10 salários mínimos.

A maior parte dos paulistas, porém, como em todo o Brasil, recebe mesmo entre 1 e 3 salários mínimos. São 4,4 milhões de trabalhadores nessa situação em São Paulo.

Percentualmente,em relação ao total nacional, a participação do Estado nessa faixa de remuneração baixa para somente 25%. E, entre aqueles que ganham menos de 1 salário mínimo, há 207.034 paulistas, com 15% do total do País – e irrisórios 2,3% dos 8,7 milhões de trabalhadores em São Paulo do setor formal.

Em alguns Estados, a quantidade de pessoas que recebem até 1 salário mínimo supera 10%. É o caso de todos os Estados do Nordeste, à exceção de Pernambuco e Rio Grande do Norte. No Maranhão, 14,3% dos trabalhadores recebem essa remuneração; outros 62% estão na faixa entre 1 e 3 salários mínimos e apenas 0,77% (2.768 pessoas) recebem mais do que 10 salários mínimos.

“Você tem uma evolução do nível de emprego e queda da renda média, mas acho que esses fatores não são extremamente relevantes do ponto de vista do objetivo do trabalho, que é propiciar à comunidade empresarial um cruzamento de dados para estabelecer critérios e trabalhos a serem realizados”, avaliou Alexandre Furlan, diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para Mariana Raposo, diretora de operações do Sesi Nacional, a queda da renda média reflete a distribuição de renda. “No tocante à renda, tivemos diminuição do número de trabalhadores na faixa mais alta. Em compensação, na faixa de 1 a 3 salários mínimos, tivemos um acréscimo de trabalhadores. Se pensarmos na questão da distribuição da renda, vamos ver que ela tem uma pequena melhora”, argumentou ela.

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Homens x mulheres

O Brasil tem quase o mesmo número de mulheres (4,4 milhões) que homens (4,7 millhões) trabalhando em grandes empresas. Como o número total de homens com carteira assinada é maior (16,7 milhões contra 11,2 milhões), isso só ocorre porque as micro, pequenas e médias empresas empregam bem mais homens que mulheres.

Nas empresas de grande porte, com mais de 500 trabalhadores, as mulheres representam 48,6% dos empregados. Esse número despenca para 33,7% no caso das pequenas empresas (entre 20 e 99 trabalhadores). Tome-se o exemplo paulista. De 3,2 milhões de trabalhadoras no setor formal, 1,2 milhão está empregada em grandes empresas – quase o mesmo número de homens, 1,3 milhão.

Nas médias empresas paulistas há 556 mil mulheres, contra o dobro (1,1 milhão) de homens. O número é parecido no caso das pequenas empresas (600 mil mulheres diante de 1,1 milhão de homens) e microempresas (856 mil mulheres contra 1,4 milhão de homens).

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