Com mandado de prisão expedido há 12 anos pela morte de um casal em Bauru, ocorrida em dezembro de 1992, o construtor civil Sílvio Batista de Souza, 40 anos, foi preso nesta semana em Pinhais (PR) e transferido ontem para a cadeia de Avaí, ficando à disposição da Justiça para julgamento. Com a informação de que o acusado do duplo homicídio estaria numa cidade próximo a Curitiba, o delegado J. J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) solicitou ajuda da Polícia Civil do Paraná, que prendeu Souza. Se não fosse encontrado nos próximos oito anos, o crime prescreveria. O acusado nega.
Cardia, que está investigado o caso desde o dia 6 de dezembro de 1992, quando os corpos de João Batista de Souza e Anair L. Costa foram encontrados na estrada de acesso ao bairro rural Rio Verde, explica que na fase de inquérito policial concluiu, na época, que o motivo do crime foi divergência na partilha de produto de roubo. “Apurou-se, na época, que o casal morto e Souza faziam parte de uma quadrilha formada por homens e mulheres que roubava cargas de caminhões, que inclusive foi presa”, relembra Cardia.
No dia do crime, as vítimas, Souza e mais um dos integrantes do grupo, Cícero Luiz Shil, teriam ido à estrada de acesso ao bairro Rio Verde para discutir a divisão de uma carga de carne roubada. “João não teria pago a parte dos outros. Houve uma briga entre eles, com soco e pontapés. Segundo consta no inquérito policial, Sílvio pegou a arma que estava com Anair e atirou em João e depois na mulher”, relata o delegado titular da DIG.
João foi morto com quatro tiros e Anair com um disparo, que acertou seu peito. O inquérito, na época, concluiu que Sílvio arrastou os corpos para dentro do matagal à beira da estrada e retornou a Bauru em um Gol vermelho, que foi abandonado nas proximidades da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Na fase de inquérito policial, Sílvio confessou envolvimento com o crime, mas quando o mandado de prisão foi expedido, em 25 de agosto de 1993, ele desapareceu.
Desde então, ressalta Cardia, a DIG tem feito diligências no sentido de localizar o acusado do duplo homicídio. “Recentemente obtivemos a informação que Sílvio estava morando em Pinhais e então pedimos ajuda ao delegado Gérson Alves Machado, que o localizou e o prendeu”, completa.
____________________
Construtor nega crime
Ainda na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), antes de ser recolhido à cadeia de Avaí, o construtor civil Sílvio Batista de Souza, 40 anos, negou que tenha matado o casal João Batista de Souza e Anair L. Costa em Bauru há quase 13 anos. Ele admite que conhecia as vítimas, mas afirmou que não participou de roubos com elas e nem as matou.
“O policial chegou em casa e deu a voz de prisão, mas eu não matei ninguém nem participei de roubo”, argumenta, sem comentar a conclusão do inquérito policial sobre o crime na época.
“Meu advogado deve estar chegando e vai me instruir”, frisa.