Nacional

CPI quebra sigilo de 11 corretoras

Por Fernanda Krakovics | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - Pressionados pelas críticas de que a CPI dos Correios estaria caminhando para acabar em “pizza”, a base aliada e os oposicionistas encheram o plenário da comissão ontem e aprovaram a quebra de sigilo bancário de 11 corretoras que teriam causado prejuízos a fundos de pensão em operações de compra e venda de títulos públicos.

Contrastando com as duas últimas semanas, quando não houve quórum para votar, a CPI dos Correios teve ontem um dos mais altos índices de presença nesses quatro meses de funcionamento. Nas votações mais importantes 24 dos 32 integrantes compareceram. Foram aprovados mais de 60 requerimentos.

Segundo parecer da comissão, seis fundos de pensão patrocinados por estatais registraram prejuízo de R$ 9 milhões em negociações de títulos. A CPI investiga se essa foi uma das fontes do caixa dois do PT, mas estava com dificuldade porque na semana passada a base aliada esvaziou o plenário, impedindo a quebra de sigilo das corretoras, responsáveis pelas operações com os fundos.

Foi aprovada pela unanimidade dos presentes a quebra de sigilo das seguintes corretoras: Elite, Socopa, Agenda, Millenium, Clicktrade, Dillon, Quantia, Nominal, Euro, Walpires e da Planer. A CPI ainda aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de todas as empresas e sócios do grupo Bônus-Banval, que foi utilizado pelo então tesoureiro Delúbio Soares para repassar dinheiro para o PT e o PP.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), entrou em cena para garantir o funcionamento da CPI, encerrando a obstrução dos trabalhos. Depois de afirmar que as comissões estavam “patinando”, ele se reuniu ontem com os presidentes das três comissões parlamentares de inquérito em funcionamento: Correios, Bingo e Mensalão.

Insatisfeito com a paralisia dos trabalhos, o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), havia criticado o comportamento da base aliada e ameaçado prorrogar o funcionamento da comissão, o que não interessa ao Palácio do Planalto. O final está previsto para dezembro.

Devido ao desgaste político sofrido, os governistas foram os primeiros a chegar ontem no plenário da comissão e cobraram a presença da oposição e do próprio presidente da CPI, que só chegaram meia hora depois. O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) batia palma e pedia para que alguém assumisse a presidência para que a sessão pudesse começar.

Najun Turner

A CPI também aprovou ontem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do doleiro uruguaio Najun Turner e de sua mulher, Deuza Maria da Costa Silva. A Polícia Federal investiga se ele atuou no esquema que o publicitário Marcos Valério de Souza criou para alimentar o caixa dois do PT. O elo entre o doleiro e Valério seria uma empresa de Florianópolis, a Natimar, que opera no mercado de ouro e de dólar e foi usada para fazer pagamentos a deputados do PL. Turner ficou conhecido ao participar da montagem da Operação Uruguai, que tentava livrar o então presidente Fernando Collor de Mello do impeachment.

Apesar do esforço, a CPI está tendo dificuldade em investigar movimentações financeiras no Exterior. O depoimento do doleiro Dario Messer, que estava marcado para ontem, foi cancelado porque ele não foi localizado. Messer seria o responsável pelas operações financeiras do PT no Exterior, de acordo com o doleiro Antônio Claramunt, o Toninho da Barcelona.

Houve um mal-estar ontem na comissão devido à divulgação da agenda para o próximo mês, construída pelo presidente da CPI à revelia do plenário. Delcídio justificou a atitude pela ausência de votações nas duas últimas semanas. Na lista de requerimentos aprovados estão a convocação, a pedido do PFL, do dono da empresa GDK, César Oliveira, e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo.

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou indícios de superfaturamento nos contratos da GDK com a estatal. Essa empresa deu um jipe Land Rover de presente ao então secretário-geral do PT Silvio Pereira. Foi solicitado ainda a lista de todos os cotistas de um fundo de investimento do Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, nas Ilhas Cayman. A operação terá que ser feita em conjunto com o Ministério da Justiça. Também foi pedido o disco rígido de um computador do Opportunity Fund apreendido pela Polícia Federal.

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