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‘Estou esperando a CPI chamar um bingueiro’, provoca presidente

Folhapress
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem uma crítica à CPI dos Bingos sugerindo que ela estaria fora de foco ao não investigar os empresários de jogos. Questionado sobre a presença de seu chefe-de-gabinete, Gilbeto Carvalho, na comissão, Lula disse que estava esperando a CPI convocar “bingueiros”.

A CPI dos Bingos, por ter a maioria de seus membros da oposição, tornou-se uma opção às demais comissões para aprovar requerimentos contrários ao Planalto. “Eu estou esperando a CPI dos Bingos chamar um bingueiro”, afirmou o presidente, em rápida entrevista no Itamaraty, ao ser questionado sobre o fato de a CPI ter aprovado a acareação entre o oftalmologista João Francisco Daniel, irmão do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel (PT), e Gilberto Carvalho, que, à época do assassinato, era secretário de Governo da cidade, no ABC paulista.

Na prática, ao cobrar a convocação de empresários de jogos, os chamados bingueiros, Lula ataca os critérios que os senadores da CPI têm usado para aprovar seguidos requerimentos. Criada para apurar a utilização de casas de bingos para a prática de crimes de lavagem de dinheiro, a comissão presidida pelo senador pefelista Efraim Morais (PB) tem focado seus trabalhos em supostos esquemas de corrupção em prefeituras petistas, como Ribeirão Preto e Santo André.

Os próprios João Francisco e Gilberto Carvalho já foram ouvidos pela CPI, assim como o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz e Rogério Buratti, secretário de Governo de Ribeirão Preto em 1993 e 1994, quando o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) era prefeito da cidade.

Efraim Morais rebateu a crítica de Lula. “Talvez seja motivo de preocupação o fato de a CPI dos Bingos ter compromisso de transparência e não de engavetamento. A CPI não é só uma questão de bingo, o que existe é lavagem de dinheiro e crime organizado. E nós estamos chegando a esses crimes em Santo André.” A CPI não está “fora de rota”, disse Efraim. “Os companheiros da CPI dos Bingos estão satisfeitos porque o presidente está acompanhando (as investigações)”, concluiu o presidente da CPI.

Ontem, no hall do Itamaraty, enquanto aguardava a chegada do colega Pedro Pires, de Cabo Verde, o presidente também foi indagado por jornalistas se a CPI dos Bingos está fugindo de seu foco principal. Ao responder, cometeu um ato falho, ao sugerir a formação mista da comissão do Senado. “Isso vocês têm que perguntar para os deputados e para os senadores.”

Desde a morte de Celso Daniel, em janeiro de 2002, João Francisco e Gilberto Carvalho têm dado versões conflitantes sobre um suposto esquema de arrecadação de propina em Santo André para campanhas eleitorais petistas, o que, segundo o Ministério Público, motivou o seqüestro e o conseqüente assassinato do prefeito.

O irmão de Celso Daniel afirma ter ouvido do chefe-de-gabinete da Presidência que a propina arrecadada, principalmente de empresas de transporte coletivo, era enviada ao então presidente nacional do PT, ex-ministro da Casa Civil e hoje deputado federal José Dirceu. Gilberto Carvalho sempre negou as acusações, afirmando, inclusive, desconhecer qualquer tipo de corrupção na prefeitura andreense.

Desde que a atual crise política veio à tona, em meados de maio passado, Lula vinha mantendo uma posição de cautela em relação ao trabalho das CPIs no Congresso. No máximo, como ocorreu em alguns de seus discursos de improviso pelo País, Lula cobrou dos parlamentares a manutenção da pauta de votações diante das investigações. “Que criem quantas CPIs quiserem criar. Agora, o que não pode é, por conta de insinuações ou ilações, você deixar de cumprir com o papel do próprio Congresso Nacional, que é votar as coisas que o Brasil tem interesse”, afirmou em junho o presidente.

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