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Dinheiro desviado abastecia contas de Maluf, afirma perita

Folhapress
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São Paulo - Perita do Ministério Público do Estado de São Paulo, Mônica Semeraro afirmou ontem que as contas bancárias atribuídas ao ex-prefeito Paulo Maluf no Exterior foram abastecidas com dinheiro desviado de obras públicas. Semeraro foi a primeira testemunha de acusação ouvida pela juíza Sílvia Maria Rocha, da 2.ª Vara Federal, em processo aberto contra Maluf e contra o filho dele Flávio por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e corrupção.

O depoimento da perita foi acompanhado pelo ex-prefeito e por Flávio, que foram escoltados por agentes da Polícia Federal (PF) até o prédio da Justiça. Os dois estão presos desde o dia 10 de setembro. Vestindo de terno e gravata, Maluf chamou a atenção por estar com mais cabelos brancos e a barba por fazer.

A assessoria de Maluf coloca em questão o depoimento de Semeraro. À juíza federal, Semeraro afirmou que, durante dois anos, analisou cerca de 200 mil cópias de documentos nacionais com a quebra dos sigilos bancários dos Maluf, examinou extratos bancários enviados pela França, pelos EUA e pela Suíça, e produziu diversos laudos. Disse que chegou a US$ 195 milhões o valor das notas frias emitidas na construção da av. Águas Espraiadas (hoje Jornalista Roberto Marinho) e que cerca de US$ 446 milhões foram movimentados pelos Maluf na Suíça.

A perita afirmou ainda à juíza que os valores pagos pela Prefeitura de São Paulo à construtura Mendes Júnior, responsável pela avenida, conferem em detalhes de centavos com os depósitos feitos na conta Chanani no Safra National Bank em Nova York. “As contas foram abastecidas com dinheiro de obras públicas”, disse.

Além da perita, a juíza ouviu ontem o ex-gerente do banco Safra e responsável pela abertura da conta Chanani, Laércio Brandão Teixeira Filho. O ex-gerente confirmou que abriu a conta a pedido do doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi, mas disse desconhecer a origem do dinheiro. À juíza, Birigüi afirmou ter movimentado US$ 161 milhões dos Maluf nos EUA.

Ainda serão ouvidas outras três testemunhas do Ministério Público Federal. Depois serão ouvidas as testemunhas de defesa. Os advogados de Flávio deverão entrar hoje com um pedido de habeas corpus em caráter liminar no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Maluf estuda a possibilidade de pedir para o ex-prefeito o direito à Sala de Estado Maior - prisão prevista em lei para autoridades militares. O ex-prefeito deverá passar hoje por um exame clínico dentro da carceragem. Ele alega estar com dores gástricas.

Suspeita

O assessor de imprensa de Paulo Maluf, Adilson Laranjeira, afirmou ontem que o depoimento da perita é “no mínimo suspeito”, pois ela é funcionária do Ministério Público e foi a única que teve acesso aos documentos. “Só essa perita, até agora, teve acesso ao processo. O laudo que terá valor no processo é aquele que será feito pelo perito que a juíza nomeou para o processo”, afirmou Laranjeira, em nota enviada à reportagem.

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