São Paulo - Depois de se passar por policial civil para roubar R$ 3.512,00 de uma loja no 10.º andar da Galeria Pagé, no centro de São Paulo, às 14h20 de ontem, um homem armado abriu fogo contra seguranças do local e feriu quatro pessoas - dois seguranças da galeria e duas mulheres que passavam pela rua Barão de Duprat.
Por volta das 14h de ontem, armado com uma pistola 7.65 mm - o porte havia vencido em 1999 -, José Arnaldo Alves, 38 anos, foi ao 10.º andar da Galeria Pagé, um dos maiores centros comerciais de eletroeletrônicos da Capital, e entrou na loja de brinquedos do coreano Caen Cheng Yu. Alves, segundo o comerciante, se passou por policial civil e alegou que iria apreender o dinheiro da loja “porque eram notas falsas”.
Sem chamar a atenção, Alves saiu com R$ 3.512,00 da loja e começou a sua fuga pelas escadas da galeria. Ao chegar à sobreloja, Alves foi abordado por vários seguranças da Fortknox. A empresa é terceirizada e mantém 18 homens na vigilância do prédio - que tem 12 andares, 180 lojas e por onde circulam, em média, mais de 20 mil pessoas todos os dias. A galeria também é conhecida pela comercialização de mercadorias contrabandeadas e falsificadas.
Ao se ver cercado na sobreloja, Alves, na versão dos seguranças da Fortknox, sacou sua arma e começou a atirar. Allan Alves dos Santos, 22 anos, foi ferido no tórax. Fábio Santos, 26 anos, que é filho de um policial militar, foi baleado nas costas e internado no Hospital Cruz Azul, da Polícia Militar (PM). Até a noite de ontem, os dois estavam internados em estado estável.
Do lado de fora da galeria, as aposentadas Solimar Alhadas Bastos e Gersonita Maria Alves Neves, ambas de 58 anos, foram atingidas pelos tiros. Solimar foi ferida na nádega e está internada. Gersonita, que é de São Gotardo (MG) e fazia compras na região da rua 25 de Março, foi ferida de raspão na cabeça.
Com a arma em punho e correndo no meio da multidão da rua 25 de Março, Alves foi perseguido por guardas-civis e acabou cercado novamente na esquina da rua Virgilina Sales, onde foi desarmado e preso.
O delegado Roberto Bueno Menezes, do 1.º DP (Sé), autuou Alves em flagrante pelos crimes de roubo qualificado e usurpação da função pública - porque ele teria se passado por policial. O acusado já havia sido processado anteriormente por estelionato. “Ele abriu caminho para a sua fuga a bala”, disse Menezes.
Com o acusado, os guardas municipais apreenderam, além da pistola 7.65 mm, um outro carregador, o dinheiro roubado do comerciante na galeria, uma licença de condutor de táxi e uma outra para conduzir barcos.
O inquérito policial sobre o caso também irá tentar descobrir agora se os seguranças da Galeria Pagé também usaram armas durante a fuga de Alves. É preciso determinar de onde partiram os tiros que feriram as duas mulheres. Quatro outras pessoas sofreram escoriações leves ao tentar fugir da linha de fogo durante o tumulto.