Em assembléia realizada ontem à noite, no Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a categoria decidiu deflagrar, a partir de hoje, greve por tempo indeterminado. Dos 74 trabalhadores presentes, 63 votaram a favor do movimento. A greve abrange todo o País e o objetivo é pressionar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a atender as reivindicações da categoria, que está em campanha salarial.
Ontem, o diretor do sindicato Marcos Silvestre diz que não era possível fazer uma previsão sobre a amplitude da adesão por parte dos trabalhadores, mas a finalidade do movimento é paralisar o maior número possível de agências bancárias. O público poderá utilizar os caixas eletrônicos.
“É muito difícil conseguir uma adesão de 100% (da categoria), em qualquer greve. Mas o nosso objetivo é parar o maior número possível de agências bancárias no País todo. Na semana passada (dia 28), quando nós fizemos uma paralisação de 24 horas, os bancários pararam em 20 Estados e no Distrito Federal. Agora, a intenção é ampliar o movimento e atingir todos os Estados da Federação e um maior número de cidades”, afirma o sindicalista. Em Bauru existem cerca de 2 mil bancários.
Segundo Silvestre, conforme o sindicato já havia anunciado anteriormente, a decisão pela greve foi tomada em função de não ter ocorrido nenhum avanço nas negociações salariais entre os bancários e a Fenaban. Com o movimento grevista, os trabalhadores pretendem pressionar a entidade para atender as reivindicações da categoria.
Os bancários pedem reajuste salarial de 11,77%, mais participação nos lucros e resultados (PLR) equivalente a um salário integral, mais uma parcela fixa de R$ 788,00, 5% do lucro líquido dos bancos e garantia de emprego. A proposta apresentada pela Fenaban é de reajuste de 4%, mais um abono de R$ 1.000,00 (parcela única), PLR correspondente a 80% do salário e mais R$ 788,00.
“O presidente da Fenaban, Márcio Cipriano, disse que não tem obrigação nenhuma de corrigir o salário dos bancários. Nós consideramos isso uma provocação, porque o reajuste de 4% proposto pela federação não repõe nem mesmo a inflação. Com tudo isso, não vimos outra saída (além da greve) para tentar sair desse impasse”, observa Silvestre.
De acordo com ele, no primeiro semestre deste ano o Bradesco teve lucro de R$ 2,62 bilhões, 110% a mais do que o montante de R$ 1,25 bilhão registrado no mesmo período do ano passado. Também nos primeiros seis meses deste ano, o Itaú somou lucro de R$ 2,47 bilhões, contra 1,82 bilhão na comparação com 2004.
Ainda segundo o sindicato, no Banco do Brasil, o lucro aferido no primeiro semestre deste ano foi de R$ 1,97 bilhão, contra R$ 1,4 bilhão no ano passado, e na Nossa Caixa, de R$ 379 milhões contra R$ 146 milhões no ano 2004 (crescimento de 160%).
No ano passado, os bancários deflagraram greve em Bauru no dia 5 de setembro e o movimento prosseguiu até 4 de outubro. No dia seguinte a greve foi suspensa, sendo retomada no dia 13 do mesmo mês. Com uma baixa adesão da categoria nessa segunda etapa, o movimento foi encerrado no dia 14 de outubro.