São Paulo - Os bancários devem entrar em greve hoje por tempo indeterminado em diversas regiões do país em protesto ao impasse na campanha salarial deste ano. Assembléias em todo o Brasil estão previstas para ocorrer ainda esta noite e confirmar a decisão de parar, já aprovada no último sábado, em encontro nacional que reuniu 1.500 sindicalistas e funcionários em São Paulo. Nas assembléias serão definidas as cidades que devem parar.
“Sem aumento real e uma proposta melhor de participação nos lucros e resultados, não há como evitar essa greve. Os bancos lucraram (muito)”, diz Luís Claudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região (CUT). Os trabalhadores reivindicam reajuste de 11,77%, participação nos lucros e resultados (PLR) no valor de um salário mais R$ 788,00 fixos, entre outros itens. Os bancos oferecem 4% de reajuste salarial, abono de R$ 1.000,00 e lucros de 80% do salário mais R$ 733,00 fixos - mesmo valor pago à categoria no ano passado.
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) informa, por sua vez, que está aberta à negociação, mas que quer receber uma contraproposta dos trabalhadores, pois sua oferta foi recusada por eles. A federação recomenda que as contas com vencimento hoje sejam pagas no auto-atendimento, por serviços telefônicos e pela Internet.
O secretário de imprensa da Confederação Nacional dos Bancários (CNB), Miguel Pereira, reclamou da pressão dos banqueiros sobre o movimento grevista. Em algumas manifestações , a Polícia Militar (PM) chegou a reprimir trabalhadores, diz. “A intenção é intimidar o sindicato, isso é contra a Lei de Greve. Eles estão cometendo excessos. Os bancários vêem os lucros extraordinários dos bancos e não agüentam mais metas, tarifas e filas”.
No Banco do Brasil, os funcionários decidiram anteontem, em assembléia em São Paulo, aceitar a proposta de PLR apresentada pelo banco. O valor corresponde a 40% do salário mais um valor fixo de R$ 365,00, além de 4% do lucro líquido distribuído igualmente entre todos os funcionários.