Tribuna do Leitor

“Imagine”


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Que mundo é este? Abandonados no caos da violência, não somos capazes de discernir quem nos ataca, quem nos impõe o regime de guerra civil. Assim, nos tornamos facilmente impregnáveis pelo maniqueísmo ianque. O catequista Bush ministra lições aos incipientes - ou insipientes - pupilos para que, ao final, comunguem da veneração aos WAP (“White, Anglo-Saxan and Protestant”) e ódio aos demoníacos árabes. E a temida silepse se dá: os pupilos acreditam nessas lições.

A América do destino manifesto veste a máscara do bom moço, preenche seu consumismo oco com nacionalismo e discursos contra o eixo do mal, sobe no trono de Deus e, através do belicismo, quer semear as bombas da paz. Insiste em nos fazer deglutir que todas as intervenções bélicas norte-americanas são apenas medidas de contenção ao terrorismo. No entanto, a análise leva à conclusão justamente oposta. O espírito de Robespierre suscitado nos árabes em geral não vem somente da religião, mas também de todo o bombardeio da miséria.

Os mulçumanos são pacíficos? Mesmo contra o senso comum, pode-se murmurar que sim. Por muito menos, os barcos, por exemplo, praticam também atrocidades. O povo do Oriente Médio vive o contraste da riqueza do ouro negro com a fome, segue uma religião hermética e tem fanáticos como chefes políticos. Embora não sejam determinantes, estes fatores elencados são fortes condicionantes ao ódio contra o Ocidente, que pratica uma exploração histórica na região.

A violência é um modo, às vezes, inconsciente da humanidade exaurir seu cansaço do desequilíbrio. Thomas Hobles, se pudesse presenciar tal conjuntura, diria que o Leviatã está entre nós. Porém, nos poderíamos atualizar para Bushiatã ou, quem sabe, dizer que o monstro somos nós próprios, que não nos movemos para que isso mude. Ajoelhamos e depositamos nossa fé e dinheiro no altar do FMI.

Voltando os nossos olhos para o Brasil, podemos encontrar paralelos importantes. A falta de profundidade analítica das discussões sobre as chagas sociais é um deles. Temos como exemplo aqui o debate sobre a proibição da comercialização de armas, quando a celeuma é muito mais complexa e envolve a formação estrutural econômica de nossa sociedade.

E no mundo a pauto sobre o terrorismo é o exemplo mais notável da superficialidade da análise. Ele é posto como pomo da discórdia entre nações que nunca viveram na concórdia pela exploração capitalista. Além disso, nosso País segue religiosamente a evolução da criminalidade mundial. Talvez o senhor do caos tenha feito escala no Brasil e trazido como suvenir a média de 35 a 49 mil mortos por arma de fogo pao ano.

Há ainda esperanças para o equilíbrio entre Norte e Sul? Oriente e Ocidente? Só a imaginação infantil poderia sonhar com um mundo harmonioso, mantendo-se essa estrutura capitalista de exploração. Ou promovem-se mudanças ou encontraremos o fim da eterna intifada.

Carla de Jiácomo Machado - estudante - RG 42.990.602-X

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