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Para Cappio, o governo teme a repercussão internacional do caso

Folhapress
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Cabropó - O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, 59 anos, que completa hoje dez dias em greve de fome contra a transposição das águas do rio São Francisco, disse ontem que o governo federal sinalizou com a possibilidade de atrasar o início da obra por medo da repercussão internacional do caso. “Sempre soube que o governo está mais com medo da repercussão internacional do que de mim”, afirmou. “Isso desgasta muito o governo, as pressões políticas, as repercussões. É isso o que eu tenho dito”, declarou.

Cappio leu ontem a reportagem da “Folha de S.Paulo” sobre a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de suspender o projeto para negociar o fim do jejum. Depois, reafirmou que só aceitará discutir o encerramento da greve de fome após receber “um documento do presidente, em mãos, assinado por ele, direitinho”. “Quero saber os termos do documento. Nada vai me demover, enquanto não recebê-lo”, disse. No sábado passado, o bispo recusou uma proposta de diálogo com Lula, feita a ele por um emissário do presidente.

Sobre as críticas a sua conduta, classificada de irresponsável e autoritária por Lula e alguns ministros em reunião anteontem em Brasília, o religioso foi diplomático. “Estamos numa nação democrática. Eles têm direito de lançar o seu ponto de vista.” O bispo aguardava ontem a visita do ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais) à capela na zona rural de Cabrobó (600 quilômetros de Recife, PE), onde pratica o jejum. O ministro deve vê-lo hoje.

Pela primeira vez desde o início da greve de fome, Cappio reclamou de dores no corpo e dificuldades para respirar. Ele foi atendido por uma equipe médica da Secretaria da Saúde de Cabrobó, que não constatou problemas graves. Segundo o médico que o atendeu, Francisco Bruno Matias Figueiredo, 27 anos, o bispo perdeu quatro quilos desde que iniciou o protesto. Passou de 65 kg para 61 kg. “É a perda de peso esperada para quem ingere muito líquido, como ele”, disse Figueiredo. “É uma pessoa preparada, que ainda vai agüentar bem”, declarou.

Para poupar o bispo, as paróquias da região estão recomendando aos fiéis a suspensão das romarias. O tempo de atendimento e distribuição de bênçãos pelo frei também foi reduzido.

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