Terrenos baldios, margens de córregos e de estradas e erosões são destinos de lixo e entulho em Bauru, apesar de o serviço de coleta retirar das ruas e enviar ao aterro sanitário cerca de 200 toneladas de detritos por dia. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) mapeou na cidade 53 grandes pontos de depósito irregular de lixo, onde são colocados desde dejetos domésticos, comerciais e até industriais. Auditoria feita na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), cujo resultado foi apresentado ontem, apontou que 40% do lixo produzido na cidade não é coletado.
Porém, toda a cidade dispõe de serviço de coleta de lixo – diariamente na área central e em dias alternados nos bairros. Um dos 53 pontos de deposição irregular de lixo é um terreno localizado nas proximidades do Jardim Chapadão, às margens da estrada de acesso ao Esquadrão da Vida. No local, além de lixo domiciliar, há grande quantidade de cocos, já sem a água, jogados. “Recentemente neste local encontramos uma grande quantidade de material de caminhão, como freios e outras peças”, relata Carlos Barbieri, titular da Semma.
Pelo tipo de material, Barbieri acredita que empresas também alimentam os bolsões irregulares de lixo por não quererem aguardar o serviço de coleta ou transportar os dejetos ao aterro sanitário. A deposição de lixo fora do aterro sanitário é proibida, punida com multa de cerca de R$ 500,00. Se o infrator não limpar a área, a multa passa a ser diária. “Quando conseguimos flagrar o despejo do lixo, normalmente quando recebemos denúncia da população, não há como o infrator escapar de jeito nenhum”, afirma.
A Semma também aplica multa com base em informações passadas pela população, como a placa do veículo que despejou lixo em determinado local. Porém, na maior parte dos casos a secretaria não consegue chegar aos responsáveis pelo lixo. “Às vezes a gente vê carro, caminhão jogando lixo. Mas normalmente, quando é muita coisa, isso acontece à noite para ninguém ver”, explica Flaviana Alcântara dos Reis, que mora no Jardim Chapadão.
Do outro lado da cidade, no Parque Roosevelt, a dona de casa Suzana Oliveira dos Santos tem fama de brigona por vigiar os terrenos baldios na tentativa de evitar o depósito de lixo. “Já discuti com carroceiro, caçambeiro. Mas não adianta muito. Eles jogam o lixo à noite. Quando acordo já tem lixo no terreno vizinho à minha casa. Todo mundo reclama de dengue, leishmaniose, mas a maioria não se preocupa em onde jogar lixo”, comenta.
O lixo contamina o solo, exala mau cheiro, contribui para proliferação de bichos e aumenta o risco de doenças, mas há materiais que são descartados que podem ser reaproveitados. É o caso dos cocos e dos galhos de árvore, que podem ser usados como adubo ou como fonte de energia em empresas. “É biomassa, que gera 35 mil calorias por quilo de matéria seca. Quando-se gasta para gerar esta energia com eletricidade?”, questiona Barbieri.