Regional

Bariri registra 1º caso de leishmaniose

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Bariri - Um cachorro “importado” de Bauru foi responsável pelo primeiro registro de leishmaniose na cidade de Bariri (56 quilômetros de Bauru).

A doença só foi descoberta após a morte do animal. O Diretoria de Saúde do município realizou exames em todos os membros da família que adquiriu o cachorro, mas os resultados deram negativo.

Estão sendo feitas também análise nos animais que teriam tido contato com o cão contaminado, mas até o momento nenhuma anormalidade foi constatada, segundo informou o diretor de saúde de Bariri, Benedito Mazotti.

A prefeitura está firmando uma parceria com uma entidade de proteção aos animais para criar um espaço próprio para levar os cães suspeitos da doença para lá. “No futuro, se tivermos outros cães com suspeitas (de leishmaniose), teremos como fazer o isolamento e os exames com o animal ainda vivo.”

Uma lei municipal autoriza a prefeitura a ceder uma área na zona rural da cidade para hospedar cães abandonados ou que precisam de tratamento por causa de doenças contagiosas.

De acordo com o diretor de Saúde, o cachorro que morreu tinha cerca de três anos e teria sido dado de presente este ano à família por parentes de Bauru.

Mazotti acredita que a doença já estava incubada no animal quando ele foi levado para Bariri. “(A leishmaniose) é uma doença que demora um certo tempo para mostrar todos os sintomas e quando descobriram já era tarde demais”, relata. O período de incubação varia de dez dias a um ano.

Em conversa com a família, que reside no Jardim Industrial, o diretor foi informado que alguns sintomas, como vômito e diarréia, foram notados, mas não imaginavam que pudesse ser leishmaniose.

“No início, os sintomas são os mesmos de outras doenças. Quando ela está um pouco mais avançada, aí dá para perceber que o animal passa a perder pêlo e as unhas começam a crescer. Nesse caso, o cachorro morreu antes de apresentar os sintomas próprios da doença, como unha comprida”, conta Mazotti.

Assim que a morte do cachorro foi comunicada à Vigilância Epidemiológica, o animal foi encaminhado para Botucatu, onde foram feitos os exames que constataram a doença.

O diretor disse que estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para evitar que a doença se espalhe. Segundo dados do controle de vetores, a incidência do mosquito palha (transmissor da leishmaniose), assim como do Aedes aegypti, é muito pequena no município. “Faz três ou quatro anos que não temos nenhum caso de dengue”, comenta.

Mesmo assim, o momento não é de comemoração. “Nós sabemos que não estamos isentos de leishmaniose, dengue ou qualquer outra doença. Por isso, procuramos nos preparar da melhor maneira possível para enfrentá-las”, diz Mazotti.

Como todos os exames feitos até agora nos membros da família que tinha o cão e nos demais animais do bairro que podem ter tido contato com a doença deram negativo, o diretor de Saúde acredita que, por enquanto, novos casos estão descartados. “Acreditamos que a coisa deve encerrar por aí.”

Em humanos, a leishmaniose tem cura se diagnosticada no início da contaminação. Mas nos animais, a doença geralmente é fatal. No Brasil, os principais “hospedeiros” da doença são o cão e a raposa.

A transmissão para os humanos acontece quando o mosquito “palha” ou “birigui” pica o animal contaminado e depois o homem.

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