São Paulo - A greve deflagrada ontem por bancários de 20 Estados fechou 5% das agências de todo o País, segundo a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A greve é por tempo indeterminado e tem como objetivo pressionar as instituições financeiras a elevar a participação nos lucros e o índice de reajuste salarial deste ano. A Confederação Nacional dos Bancários (CNB) ainda não apresentou o balanço dos sindicatos sobre a adesão à paralisação. A entidade informou apenas que não houve paralisações no Distrito Federal, Santa Catarina, Rondônia e Roraima, onde aconteceram novas assembléias ontem. Já os Estados de Goiás, Amazonas e Tocantins não são filiados à CNB.
No último dia 28, a categoria já havia feito uma paralisação de advertência que, segundo a Fenaban, fechou apenas 3% das agências bancárias, a maioria localizada nas regiões centrais de Rio de Janeiro e São Paulo. O secretário de imprensa da CNB, Miguel Pereira, disse, entretanto, que a paralisação que teve início ontem foi bem mais divulgada pelos sindicatos e que espera uma adesão “bem maior”. Ele também afirmou que, em número de trabalhadores parados, a greve de 24 horas do último dia 28 foi bem mais representativa e que houve paralisações em 19 Estados e no Distrito Federal.
Nas últimas semanas, a Fenaban tem informado que não aceita a proposta inicial apresentada pelos trabalhadores e que espera uma nova oferta para voltar a negociar. Os bancários pedem reajuste de 11,77%, participação nos lucros maior (um salário mais valor fixo de R$ 788,00 acrescidos de 5% do lucro líquido distribuídos de forma linear entre os funcionários), garantia de emprego e 14.º salário, entre outras coisas. Já os bancos oferecem 4% de reajuste, abono de R$ 1.000,00 e participação nos lucros de 80% do salário mais R$ 733,00 fixos. A data-base da categoria é 1 de setembro.
No Brasil há cerca de 400 mil bancários. Em São Paulo, Osasco e Região são 106 mil trabalhadores distribuídos em torno de 3 mil locais de trabalho. No ano passado, os bancários receberam reajuste salarial que variou entre 8,5% e 12,77%, contra uma inflação de 6,4%.
Confrontos
Policiais militares e bancários em greve entraram ontem em confronto no centro de São Paulo. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, os policiais utilizaram cassetetes para retirar os trabalhadores da porta da agência, ferindo cerca de dez pessoas, inclusive clientes do banco e jornalistas que estavam no local.
O confronto aconteceu por volta das 10h30 em frente ao Bradesco da rua 15 de Novembro. O funcionário da agência Marcos Antonio do Amaral foi imobilizado e preso pelos policiais, mas, segundo o sindicato, foi liberado. A Polícia Militar (PM) teria ainda utilizado a força para retirar outros sindicalistas que estavam na porta da agência e também impedi-los de entrar no banco. Foi formado um cordão de isolamento para garantir que só clientes tivessem acesso à agência.
Os sindicalistas afirmam que não fizeram piquete na porta do banco, respeitaram a lei de greve e que os muitos funcionários estavam com medo de aderir à greve iniciada ontem temendo represálias dos banqueiros. Procurada, a PM ainda não se manifestou.
O sindicato também afirmou que na agência do Bradesco na rua Boa Vista o gerente orientou os funcionários a chegar no trabalho às 3h, evitando assim possíveis piquetes. A PM também foi chamada para garantir a abertura da agência. Também houve confusão na agência da Nossa Caixa na rua 15 de Novembro, onde o sindicalista Dirceu Travesso foi preso. Ele também já foi liberado.
No último dia 23, bancários e policiais já haviam entrado em confronto, desta vez em Osasco (SP), onde está localizada a sede administrativa do Bradesco. A PM, que estava no local para garantir a segurança, entrou em confronto com os funcionários devido à retirada de faixas que haviam sido colocadas pelos sindicalistas.
A diretora do sindicato Sandra Regina Vieira da Silva e o funcionário da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Marcos Palmanhani foram levados para o 6.º Distrito Policial de Osasco. O funcionário do sindicato Cláudio da Silva foi levado ao hospital Cruzeiro do Sul com suspeita de fraturas, segundo a sindicato.