Brasília - O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Odilo Scherer, disse esperar que “não pegue a moda” de bispos adotarem a greve de fome para conquistar apoio em causas pelo País, como ocorreu nos últimos dez dias com o bispo Luiz Flávio Cappio sobre a transposição do rio São Francisco. “Sinceramente eu espero que essa moda não pegue.”
Em entrevista para fazer um balanço do fim do jejum do bispo de Barra (BA), o representante da CNBB disse que a Igreja sai desse processo “feliz com o desfecho”, mas admitindo a necessidade de programar “reflexões” nas bases e “tirar lições” do processo, que envolveu a CNBB, o Vaticano e o Planalto. “Apesar de ter sido um gesto extremo, sem dúvida pode-se dizer que o fruto é positivo no sentido de ter havido uma mobilização da sociedade para construir um projeto (de transposição) mais equilibrado e politicamente concordado”, disse. D. Odilo procurou excluir a CNBB da iniciativa do jejum, já que a entidade defende a revitalização. Ele condenou apenas a posição do bispo de Barra que levaria o jejum até a morte caso seu pleito não fosse atendido pelo governo federal.
Na entrevista, o secretário-geral da CNBB foi questionado se o efeito do jejum seria o mesmo se o protagonista fosse um deputado, por exemplo. Ele sinalizou que não. “Talvez, se um deputado fizesse uma greve de fome, também tivesse a repercussão... ou não.” Sobre eventuais novos casos de jejum entre integrantes da Igreja Católica, d. Odilo admitiu que não há como prevê-los ou evitá-los.