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Defesa do direito de lutar


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A história segue trilhas inimagináveis. Em questão de meses, trocamos o cenário de avanços históricos, de governo de esquerda e bandeiras populares desfraldadas, por um quadro sombrio de retomada da violência reacionária. E que não se imagine mania de perseguição neste sentimento. O assassinato do companheiro sindicalista Jair Costa, no último dia 30, em Sapiranga, 60 quilômetros, de Porto Alegre, é um testemunho vivo desta ofensiva de direita e, antes de tudo, deve significar um alerta para nós. As prisões dos bancários em greve, os “interditos proibitórios” contra várias lutas de trabalhadores e o recrudescimento da repressão às ocupações de terra não são fatos isolados e meras manifestações da tradicional cultura autoritária das elites brasileiras.

Essas violências ocorrem num momento em que as forças políticas da direita brasileira tentam frustrar a reeleição de Lula antecipando as eleições de 2006 - um verdadeiro golpe branco sobre a jovem democracia brasileira. Esta tentativa que tende a radicalizar os conflitos sociais e alimentar a repressão sobre as lutas dos trabalhadores, coloca-nos diante da necessidade retomar a bandeira do direito de lutar, o mais fundamental direito que os trabalhadores brasileiros reconquistaram ao derrotar a ditadura militar no início da década de 80.

Por essas razões, homenagear o companheiro sapateiro Jair Costa deve significar para nós, antes de tudo, erguer uma trincheira em defesa do direito de lutar. Este direito está sendo ameaçado todos os dias, em muitas cidades... Temos de colocar um limite a esta ofensiva da direita brasileira, acumular fôlego para fazer nossa marcha a Brasília no final de novembro e sustentar as bandeiras da valorização do salário mínimo, da redução da jornada sem redução de salário e outras prioridades de nossa agenda de luta, entre elas uma reforma sindical democrática capaz de garantir aos trabalhadores o direito real de organização no local de trabalho. Se não o fizermos, nos faltará forças para continuar vigilantes diante do sonho insaciável do patronato de avançar sobre os direitos dos trabalhadores.

Neste sentido, alimentar o banco de dados do Observatório Social da CUT sobre violações às práticas sindicais (www.cut. org.br), fazer denúncias à OIT sobre violações à convenção 135 da OIT, que trata do direito à representação sindical e à 158, sobre dispensa imotivada, são ações estratégicas dos nossos sindicatos para este momento. A ação da CUT Rio Grande do Sul de reorganizar um dossiê sobre as violências contra o movimento sindical no Estado poderia ser imitada em todo o Brasil permitindo-nos fazer rapidamente uma contundente denúncia destas agressões. De qualquer forma, fica aqui, neste momento de lembrar e homenagear o companheiro Jair Costa, um desafio para cada um de nós: não deixar cair jamais a bandeira da defesa do direito de lutar empunhada na fundação da nossa Central pelo metalúrgico Santo Dias e agricultora Margarida Alves.

O autor, Artur Henrique da Silva, é secretário-geral da CUT Nacional

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