Fortaleza - A Polícia Federal (PF) indiciou mais dois suspeitos de participação no assalto ao Banco Central (BC), em Fortaleza, de onde foram levados R$ 164,8 milhões há dois meses. O ex-vigia Deusimar Neves Queiroz foi preso em Fortaleza pela Polícia Civil após ter sido denunciado por uma cunhada, Francisca Rodrigues Cunha.
Ela afirmou em depoimento que o cunhado tinha recebido R$ 2 milhões para participar do crime. Queiroz disse, em depoimento, segundo a PF, ter envolvimento no caso. Ele contou ter recebido apenas R$ 200 mil, que usou para comprar uma casa para outra cunhada, um carro usado, ano 98, e uma moto.
Queiroz afirmou que forneceu à quadrilha informações sobre o interior do BC e da caixa-forte, onde trabalhou enquanto era vigia contratado da empresa de segurança Corpvs, que prestava serviços ao banco.
Queiroz foi demitido em 2000, por corte de funcionários. A PF vai investigar se ele teve participação no assalto que aconteceu à Corpvs em 1999, quando foram roubados R$ 6,9 milhões. Um dos suspeitos de participar daquele crime é Antônio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão, considerado o líder da quadrilha que furtou o Banco Central. Ele está foragido.
O ex-vigia justificou seu vínculo com a quadrilha por ser amigo de um irmão de Alemão, Jussiê. Outro amigo de Queiroz, Francisco Álvaro de Carvalho Lima, também deverá ter a prisão preventiva decretada. Ele só não foi preso com Queiroz porque se apresentou voluntariamente à PF, com um advogado. Aos policiais, ele disse que guardava parte do dinheiro do amigo.
Na casa dele, foram encontrados 19 cheques no valor total de R$ 27.322,00 e mais R$ 2.450,00. O dinheiro não era o furtado do BC. Segundo a PF, os dois estavam agindo como agiotas, fazendo empréstimos a juros. Eles foram indiciados por formação de quadrilha, interceptação e agiotagem. Lima já responde a um processo por agiotagem.
Queiroz é condenado pela Justiça pelo homicídio de um irmão. Na semana passada, cinco homens foram presos também por participar do furto. Na casa onde eles estavam, havia R$ 12,3 milhões escondidos em um fundo falso no piso de um dos quartos. À PF, eles entregaram os nomes de outros 18 participantes do crime. A polícia não confirmou se Queiroz foi um dos citados.