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Vítimas aproveitam o descuido de seqüestradores e conseguem fugir

Folhapress
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São Paulo - O cochilo de seqüestradores permitiu a dois reféns escaparem de seus cativeiros, entre anteontem e ontem, na Capital. As vítimas passam bem. Nenhum bandido foi preso.

Ontem, o estudante B.M.G., 18 anos, fugiu de um cativeiro no Itaim Paulista (zona leste), após permanecer 15 dias seqüestrado. Antes de B., na manhã de anteontem, foi o empresário P.C.N., 32 anos, quem se aproveitou do cochilo dos seqüestradores para fugir.

Ele conseguiu escapar do cativeiro, na região de Parelheiros (zona sul), e ainda pegou a arma de um seqüestrador e até “roubou’’ um carro, para avisar a Polícia Militar. Dono de uma imobiliária no Tatuapé (zona leste), P. foi rendido às 17h45 de quarta-feira quando deixava o estacionamento de uma agência bancária em Itaquera (zona leste).

Eram cinco bandidos, entre eles uma garota que aparentava 15 anos, conforme descrição feita pela vítima à Polícia Civil. O empresário foi encapuzado e colocado no porta-malas de sua minivan Zafira. Após circular durante dez minutos, foi transferido para o porta-malas de um Corsa. Nessas condições ele foi levado até o cativeiro: uma casa de três dormitórios e dois banheiros na rua Duas Irmãs, no Jardim Almeida, região de Parelheiros (zona sul).

De acordo com a polícia, os bandidos chegaram a cogitar um pedido de resgate de R$ 1 milhão. Levado a um dos quartos do casa, P. permaneceu encapuzado, mas não foi amarrado. Duas pessoas o vigiavam. Às 6h do dia seguinte, a vítima percebeu que um dos seqüestradores havia deixado a casa. Uma hora mais tarde, ele ouviu roncos daquele que deveria vigiá-lo. “Fiquei titubeando por quase uma hora”, recorda.

“Pensei: ‘será que vale a pena fugir e depois ficar com medo de um revide?’ Concluí na hora que tinha o direito de lutar pela minha vida.” O empresário foi até a sala onde o seqüestrador dormia e arrancou-lhe a pistola e um celular: “Fica quieto que agora eu vou fugir”, disse ao homem, apontando-lhe a arma. Já na rua, passou a gritar por socorro. Viu uma picape branca estacionada, com vidros abertos e a chave no contato.

O dono do carro conversava, fora dele. P não pensou duas vezes: “Entrei no veículo e dei partida.” Na hora, de arma na mão, ainda avisou o dono da picape: “Eu juro que vou devolver o carro. Acontece que agora estou fugindo de um seqüestro”.

Ele dirigiu por “uns dois quilômetros” até avistar um carro da PM no sentido contrário ao seu, na avenida Sadamu Inoue. “Cruzei a pista e fechei o carro dos policiais. Eles se assustaram e apontaram a arma para mim. Pedi para não atirarem e contei tudo o que havia ocorrido.” Segundo o delegado Jorge Elias Francisco, o mentor da quadrilha, já identificado, tem carros importados e mora em área nobre da Capital.

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