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Baixo salário provoca êxodo policial

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

“O Estado investe seis meses na formação de policiais que, na primeira oportunidade, migram para a iniciativa privada em razão dos melhores salários oferecidos. Isso precisa ser revisto, pois a categoria e a sociedade pagam caro.”

A afirmação é de Jair Cesário da Silva, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), que visitou Bauru ontem e aproveitou para expor seu trabalho frente à Adpesp para, entre outras questões, modificar algumas das principais mazelas que atingem a categoria: o arrocho salarial e suas conseqüências.

Segundo Silva, a categoria encontra-se em um momento de extremo desalento oriundo da política salarial mantida pelos governos, que tem gerado perdas do poder aquisitivo e produzido profundos reflexos negativos, como a necessidade de buscar atividades extras a fim de complementar o orçamento, a falta de dedicação exclusiva à atividade, o desestímulo com a função e, principalmente, o êxodo de policiais à iniciativa privada.

Silva enfatiza que basta checar as estatísticas dos últimos dez anos para comprovar que a migração de policiais, antes fato raro na corporação, atualmente é comum. “Antigamente, quase não encontrávamos pedidos de exonerações. Hoje é corriqueiro em todos os escalões policiais”, sustenta o presidente. “Estamos perdendo integrantes, como escrivães, em grande parte para o Poder Judiciário”, completa o delegado Dernival Mauro Inforzato, que ao lado dos delegados Abel Fernando Abreu, Adib Jorge Filho e Antônio Carlos Palhares acompanhou o presidente da Adpesp na visita a Bauru.

Para Silva, só um urgente e imediato reescalonamento salarial da categoria pode evitar que essa situação se repita. “Acima de tudo, é o cidadão, através dos impostos, que está investindo na formação dos policiais. E a revisão salarial visa essencialmente impedir que o êxodo continue, pois São Paulo encontra-se em uma das piores situações do País na escala de vencimentos”, analisa.

O presidente da Adpesp ressalta, ainda, que outra luta da categoria é a readequação dos meios materiais e humanos de acordo com o porte e nível da criminalidade dos municípios. “Em muitas cidades eles estão defasados, tanto em número de unidades policiais quanto de efetivo”, frisa Silva. Já em nível nacional, o líder estadual dos delegados considera a regulamentação do sistema previdenciário, com a reinclusão da aposentadoria especial, e reformas processuais de natureza penal como duas grandes necessidades.

Silva analisa que, para atingir tais objetivos, é preciso que a segurança pública seja prioridade de todo político ou governante. Acrescenta que tais aspectos têm sido alvos constantes de discussões junto ao secretário de Segurança, Saulo de Castro Abreu Filho, e ao governador do Estado, Geraldo Alckmin. Silva argumenta entender que o Estado enfrenta dificuldades, mas insiste em destacar que a polícia e a segurança pública precisam mudar de “status” junto aos governos.

Por fim, o presidente da Adpesp fez questão de declarar sua posição em relação ao referendo do desarmamento que será realizado no dia 23, manifestando-se contra a proibição do comércio de armas de fogo no Brasil.

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