Usando as mãos e um amontado de fios, mulheres de Bariri trabalham no amarrio, uma técnica conhecida no mundo como macramê. O trabalho artesanal que usa nós e abrolhos em seu ponto de partida já é adotado em roupas, abajour, acessórios de moda, toalhas e numa infinidade de roupas de cama, mesa e banho.
Há várias versões para o surgimento da técnica entre o público feminino da cidade. A mais popular e aceita é que há muito tempo as mulheres aprenderam a fazer os nós com os pescadores do Tietê e passaram a usar o amarrio para enfeitar o enxoval.
A arte surgiu no mundo, segundo informações das artesãs, quando os navegantes do Oriente médio começaram a fazer nós com as cordas dos navios para preencher o tempo durante as longas viagens. Estes navegantes passavam as tramas feitas com as cordas para suas esposas e filhas, que começaram a fazer o trabalho em fios de tecidos desfiados e com linhas colocadas no tecido. Assim, o macramê se espalhou pelo mundo.
Em Bariri há trabalhos feitos há aproximadamente 100 anos, segundo Carine Furlaneto Castanho, secretária da Associação Baririense de Artesãos. “Fizemos um resgate da história local e regional. O grupo de amarrio de Bariri foi formado há cerca de quatro anos, mas antes disso muitas mulheres já faziam este tipo de artesanato, mas não de forma comercial.”
Com a parceria do Sebrae e da prefeitura municipal da cidade, o grupo de artesãs ganhou forma e espaço. “Começamos a participar de rodas de negócios, feiras locais, regionais e até fora do Estado. Hoje toda essa experiência é visível a olhos nus.
”O grupo é formado por 15 pessoas e alguns parceiros que complementam nossos produtos.”
Em 2003, o grupo de artesãs levou os produtos para serem vistos em várias feiras estaduais. “Participamos da “Christmas Fair”, “ Gift Fair” e da “Revelando São Paulo”, o que deu visibilidade ao trabalho.” O resultado positivo está surgindo naturalmente e a longo prazo, comenta a secretária.
Segredo nas mãos
Passar oito horas por dia desfiando e fazendo nós de maneira que no final pareça um bordado é o artesanato desenvolvido pelas mulheres de Bariri. O segredo é ter paciência e dedicação, ensina a secretária da associação, Carine Furlaneto Castanho que também é instrutora. “Além de fazer parte do grupo, sou professora. Já formamos umas 300 pessoas.”
Para ela, as tramas exigem criatividade. “O setor evoluiu muito. Temos vários tipos de amarrio e o uso de produtos diversos faz com que o trabalho ganhe mais mercado. Antigamente só se fazia amarrio em toalhas de banho. Hoje a gente usa em artigos de decoração, em abajour, almofada, cortina, bolsas, acessórios de moda, entre outros.”
O trabalho das artesãs de Bariri chega na Capital através de um ateliê. “Um ateliê de São Paulo terceirizou a mão de obra para nós. Temos também uma cliente que é estilista e tem uma loja no Morumbi Shopping. Ela apresentou sua coleção num desfile e nós participamos decorando as roupas com amarrios.”
A feira "Revelando São Paulo", que as artesãs participaram recentemente, mostrou o produto tradicional de cada uma das cidades do Estado. “Toda cidade pode levar seu produto tradicional, Bariri sempre leva o amarrio. Cada artesã, trabalhando cerca de oito horas por dia, consegue ganhar, em média, um salário e meio por mês.”
A casa do artesão em Bariri agrega ainda trabalhos confeccionado em madeira; como caixas de decoração, para guardar saquinhos de chá, etc. Trabalhos feitos com meia de seda, biscuit, crochê, pintura, fuxico.
Linhas e fios
A produção das artesãs é dividida em linhas:
acessórios
embalagens e enfeites
clássica mesa
clássica banho
decoração
Natal
rústica
rústica cana- café
rústica desfiado em juta natural
rústica juta desfiada
juta tingida
rústica palha