A igreja matriz de Nossa Senhora das Dores é mais que um templo religioso. É nela que está a obra de arte mais famosa da cidade, um painel de 15 metros de altura por 16 de largura de autoria de Arystarch Kaszkurewicz, um polonês exilado de guerra.
Quem entra na igreja tem a impressão de que o artista contou com muitas mãos para executar a obra. O que pouca gente sabe é que o painel, feito em afresco sgrafiatto, um processo que emprega duas camadas de cores diferentes, foi executado por uma pessoa que não possuía as duas mãos, frisa o atual pároco Marcelo Aparecido de Souza.
O desenho é feito sobre a segunda camada, retirando a massa com um estilete, de modo que apareça a camada inferior, explica o pároco. “Ele veio para Bariri e como não tinha as mãos segurava a espátula entre os punhos para executar a obra.”
Sobre o painel há espelho dourados e queimados que refletem a luz que batem sobre ele, segundo Souza. “Nas laterais da igreja tem vitrais com cores diferentes. À medida que a claridade desses vitrais batem sobre o painel, aqueles espelhos vão tomando a cor do vitral que está refletido sobre ele de modo que o painel vai mudando de cor.”
Além de não ter as duas mãos, Arystarch também não tinha a vista esquerda. “Ele era um polonês mutilado de guerra, vítima das atrocidades na Alemanha. Veio da Polônia traumatizado. Na época, o Brasil não recebia pessoas com deficiências física. Os padres alemães que estavam no Brasil intercederam por ele e ele conseguiu entrar com a sua família.”
O artista era formado em direito e belas artes. “Como o contato dele era com os padres, fez algumas obras de arte sacra. “Dentre elas a da igreja Auxiliadora de Campinas e do hospital Beneficência Portuguesa da Capital.”
Chegada em Bariri
Foi um morador de Bariri que conhecia a obra da igreja de Campinas que convidou Arystarch a executar o painel do altar-mor na cidade, lembra o atual pároco. “O pároco da época, padre Luiz Cechinato contratou o artista, que esteve aqui e captou a idéia sobre o painel usando a imagem do cristo ressuscitado. Posteriormente apresentou um projeto que foi iniciado em janeiro 1975.”
De acordo com o pároco, como na cidade não há um grande acervo de obras de arte, o painel se tornou um ponto de visitação turística. “A cidade nasceu ao redor da igreja. A cultura do povo, formado de descendentes de italianos e árabes e bastante religioso, ajuda a manter a proximidade com o místico.”
Flores para finados
É do município de Bariri que anualmente saem 90 mil vasos de crisântemos. No mês de outubro, as plantas já estão sendo preparadas para a floração no início de novembro, mais precisamente para o Dia de Finados, quando as vendas triplicam.
Um dos produtores, Nilson José Antoniassi explica que, embora o solo de Bariri não seja apropriado para este tipo de cultivo, é possível produzir crisântemo. “A terra tem de ser preparada, adaptada para este tipo de cultivo.”
O produtor de verduras e legumes usa estufas para cultivar as flores que ganham preço na época de finados. “Durante todo o ano produzo mais verduras como o almeirão, alface crespa, lisa e americana, além de chicória e mostarda. Porém, para finados ele prepara vasos de crisântemo. Nesta época a flor é melhor do que a verdura no mercado.”
Ele lembra que planta 12 variedades de crisântemo. “São as mais procurados para finados. Comercializo em Bariri, Jaú, Bauru e toda a região.”