Além da hidrovia Tietê-Paraná despontar como eventual solução para a Petrobras reduzir custos no transporte de combustível, ela poderá favorecer a reativação de dois reservatórios de álcool instalados em Bauru, na avenida Rodrigues Alves.
A reativação dos tanques foi aventada pelo presidente da Petrobras Distribuidora, Luiz Rodolfo Landim Machado, em agosto, quando o vereador José Carlos Batata (PT) e o deputado federal João Herrmann Neto (PDT) entregaram a ele um requerimento contendo a solicitação.
A idéia ganhou força com a divulgação feita anteontem pelo JC de estudos que a estatal vem realizando na tentativa de encontrar alternativas ao transporte rodoviário para escoar a produção de álcool anidro e hidratado do Interior do Estado. “Não será necessário apenas revitalizar, mas construir outrosâ€, diz Herrmann.
O investimento viria a reboque da transformação de Bauru num centro logístico. Cada tanque tem capacidade para armazenar cerca 5 milhões de litros, sendo que apenas uma usina da região - situada em Presidente Alves - produziu quase 54 milhões de litros de álcool na safra passada, informa a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica).
Com o empreendimento, o município seria capaz de “irradiar†tanto o combustível destinado para o mercado interno quanto para o externo, já que é favorecido pelo entroncamento rodoviário, ferroviário, aeroviário, hidroviário e de satélites, afirma Herrmann.
“O trecho ferroviário entre Bauru e Pederneiras já está recuperado justamente por causa do Porto Intermodal. Mas tem de recuperar (outros trechos), senão fica inviável. Em Araraquara, os tanques voltaram a operar recentemente por determinação do governo federalâ€, explica Batata. De acordo com ele, os reservatórios de Bauru passam por manutenção constante e já estariam prontos para uso.
A situação seria ainda mais favorável porque o presidente da Cooperativa do Pólo Hidroviário de Araçatuba (Cooperhidro), Carlos Farias, se dispôs a articular as empresas ligadas à entidade para viabilizar o projeto. â€œÉ importante que as autoridades de Bauru tentem se aproximar da Transpetro (braço logístico e de transporte da Petrobras), porque Bauru já tem uma base e é um ponto estratégico para ser estudadoâ€, recomenda.
Logística
O resultado do estudo da Transpetro será mostrado no 1.º Encontro de Logística e Transportes no Oeste Paulista, em Araçatuba, no próximo dia 20. Conforme o JC divulgou, a estatal realizou várias reuniões com empresários do setor sucroalcooleiro e comparações entre o transporte rodoviário e hidroviário. Caso esse meio de transporte mostre-se viável financeiramente, a Transpetro cogita também a possibilidade de transportar gasolina e óleo diesel da refinaria de Paulínia para o Interior do Estado.
O trecho da hidrovia Tietê-Paraná em operação passa por diversas cidades ribeirinhas da região, como Pederneiras, Itapuí, Boracéia, Barra Bonita, Arealva e outras. No entanto, nem a assessoria da Transpetro, nem a da Petrobras Distribuidora confirmaram a possibilidade de favorecer a reativação dos tanques. A informação prestada é de que Luiz Rodolfo Landim Machado está no Exterior, de onde retorna apenas na próxima semana. No entanto, Batata ressalta que o governo Lula tem investido na recuperação de reservatórios de álcool localizados em São Paulo, Minas Gerais, Sergipe e Paraná.
“Agora o governo quer que a Petrobras compre álcool visando a exportação (para o continente asiático)â€, explica o vereador. De acordo com ele, os tanques foram construídos na gestão do Fernando Collor de Mello, a Petrobras assumiu a conpra do álcool que seria revendido para os postos de combustível. Porém, quando Fernando Henrique assumiu, baixou determinação autorizando as usinas a venderem diretamente para o mercado. A possibilidade foi mantida com Luiz Inácio Lula da Silva.
Serviço
Informações sobre o encontro podem ser obtidas por meio do site www.cooperhidro.com.br. A taxa de inscrição é de R$ 60,00.
Álcool
O Brasil apostou no álcool combustível como alternativa para diminuir sua vulnerabilidade energética e economizar dólares. Criou um programa de diversificação para a indústria açucareira, com grandes investimentos públicos e privados, apoiados pelo Banco Mundial, o que possibilitou a ampliação da área plantada com cana-de-açúcar e a implantação de destilarias de álcool, autônomas ou anexas às usinas de açúcar existentes.
A utilização em larga escala do álcool deu-se em duas etapas: inicialmente, como aditivo à gasolina (álcool anidro), num percentual de 20%, passando depois a 22%. A partir de 1980, o álcool passou a ser usado para mover veículos cujos motores o utilizavam como combustível puro (álcool hidratado), informa a Unica.