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Amazonas está em calamidade pública

Por Kátia Brasil | Folhapress
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Manaus - O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), decretou ontem calamidade pública no Estado devido à seca nos rios da bacia amazônica, que atinge 36 dos 62 municípios. Há crise no abastecimento de alimentos, combustível, energia e água.

A zona rural de Manaus, banhada pelo rio Negro, também está afetada. A Secretaria da Fazenda anunciou a liberação inicial de R$ 10 milhões para gastos emergenciais. “A vazante chega à bacia do meio (rio Amazonas) onde está a grande maioria da nossa população, e o Estado está tomando as providências necessárias para que possamos agir”, disse o governador.

Braga informou sobre a crise ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Segundo o governador, é necessário o apoio de aeronaves das Forças Armadas para enviar cestas básicas e soldados para abrir poços artesianos nas comunidades sem água potável.

O decreto de calamidade pública permite que o governo estadual faça compras sem licitações para atender um desastre classificado em níveis três e quatro. Segundo a Defesa Civil, desastre de nível três é de grande porte com prejuízos vultosos, mas suportáveis e superáveis pela comunidade.

O de nível quatro é de muito grande porte e com muitos prejuízos à comunidade, que precisa de apoio de fora para superá-los. É o caso das populações - cerca de 50 mil pessoas - dos municípios de Caapiranga, Manaquiri, Atalaia do Norte e Anori. Muitas das cidades ficam a mais de 1.000 quilômetros de distância de Manaus.

O governador Braga disse que era urgente a participação federal, no plano chamado de “S.O.S Interior”, por causa da logística das Forças Armadas.

“É preciso que a Defesa Civil do governo federal possa ajudar essa ação das Forças Armadas no socorro das populações isoladas e transmiti ao ministro Ciro Gomes a real situação.”

Com base em levantamentos das secretarias do Meio Ambiente e da Defesa Civil, o governador afirmou que o Estado é vítima de um fenômeno ambiental mundial, da qual também fazem parte furacões que atingiram nos Estados Unidos e o recente terremoto no sul da Ásia.

O que é mais grave, segundo ele, é que não há previsões de chuvas nas calhas dos rios Madeira, Solimões, Juruá, Purus e Javari. “Estamos diante de uma seca no Amazonas que em meus 45 anos de vida nunca imaginei passar”, afirmou Braga.

Ontem, a Defesa Civil informou que, além Caapiranga, Anori (a 195 quilômetros oeste de Manaus) está totalmente isolada. Por telefone, o secretário da Administração de Anori, Jefferson Mendes de Andrade, 45, disse que as 37 comunidades do município estão isoladas. O lago de Anori, que dá o acesso ao rio Solimões, secou, deixando à vista peixes mortos. Segundo Andrade, o lago tem 9 mil quilômetros quadrados e era o único acesso às comunidades.

O município sofre também com as queimadas. De acordo com o secretário, mil cabeças de gado morreram envenenadas com timbó (um cipó), ao comerem a planta, depois que foram colocadas em um terreno para escapar de uma queimada. Faltam remédios, alimentos e energia na cidade. Na zona rural, com 64% dos moradores, não há luz.

“Estamos racionando a energia na cidade e só há água nas comunidades que têm poços artesianos.” Em Caapiranga (222 quilômetros de Manaus), o secretário da Saúde, Antônio José Marques, disse que os casos de malária aumentaram depois que os servidores que espalham inseticida não puderam mais chegar às comunidades.

A gerente dos Correios Maria de Nazaré de Morais informou que nesta semana não haverá correspondência na cidade. “O barco que fazia o transporte está parado porque estamos isolados.”

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