Tribuna do Leitor

Recados de Rita e Katrina


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Muito embora a mídia já tenha desviado nossa atenção das tragédias naturais vividas pelos habitantes de New Orleans, Houston e Louisiana, provocadas pelos terríveis furacões de nomes tão românticos e suaves e com as quais ficamos penalizados e horrorizados, entendo que elas jamais deverão ser esquecidas. Pois elas podem acontecer em outros países e também no nosso Brasil, embora digamos sempre ser esta uma terra abençoada por Deus. Convém ressaltar que essas tragédias naturais que mais pareceram um filme de ficção pelo êxodo de milhões de pessoas e carros constituindo um caos, foram reais e, assim como o tsunami da Indonésia, nada mais são do que uma resposta da mãe natureza ao homem. Ela tem sido agredida e violentada das mais variadas formas em todas as partes do planeta Terra.

O homem contemporâneo está colhendo o que vem semeando. A ganância humana, de relativamente poucos, aliada à indiferença e ignorância da maior parte está provocando desequilíbrios na natureza como se ela pudesse ser consertada a qualquer momento. Com tristeza, vemos os nossos cerrados e florestas diminuindo cada vez mais pelas derrubadas, queimadas, plantio da cana e aumento sem planejamento e controle dos agronegócios, que cada vez mais exigem áreas maiores; os animais desaparecendo pela perda dos seus habitats, a poluição dos rios e mares... Há espécies de animais que restarão apenas nos zoológicos e constarão de registros das enciclopédias.

O caderno de economia do Jornal Estado publicou recentemente alguns dados inquietantes referentes ao nosso Estado. Há entre usinas de açúcar e destilarias, 131 unidades devendo ser autorizadas mais 31, significando que, imperceptivelmente, o nosso Estado será transformado em um imenso canavial. Recentemente, retornando de uma viagem e passando por uma cidade próxima, fiquei perplexo para não dizer com medo ao ver a queimada de um canavial cuja fumaça mais parecia o cogumelo de uma bomba atômica. Questionei-me: para onde estaria indo toda aquela fumaça? E, então, me lembrei de que o presidente Bush negou-se a assinar o Protocolo de Kyoto, compromisso dos países para diminuição gradativa dos gases lançados na atmosfera! Recentemente também foi publicada a notícia de um posseiro irresponsável que derrubou dois milhões de árvores da mata amazônica, uma área correspondente a 850 campos de futebol!

Há pouco foi mostrada pela tevê a poluição do Ganges, rio da Índia tido como de águas sagradas em intensidade tão grande cheio de plásticos, lixo e outros materiais poluentes de tal modo que não se via a água, mas uma correnteza de sujeira. O que dizer das geleiras do Pólo Norte que estão derretendo e que ocasionarão o aumento da temperatura do planeta e a elevação do nível dos mares e oceanos? Essas realidades são preocupantes quando pensamos nas heranças que deixaremos para nossos filhos e netos. Depreende-se, após este quadro, que é diminuto em relação à realidade, da importância da educação que deverá ter pôr fim à conscientização e transformação do homem no mundo.

Essa educação de cidadão do mundo e que tem relação e dependência direta com os fatores sociais e econômicos responsáveis pela pobreza, miséria e ignorância em que muitos povos vivem, deve ser uma bandeira e preocupação de todos os governos e em especial da ONU. Que os homens e governos não se esqueçam dos recados de Rita e Katrina como advertências do que ainda poderá acontecer pelo desafio e desrespeito à natureza, da qual fazemos parte. Que a sabedoria dos governantes e homens seja em reconhecer a nossa pequenez!

Joaquim Eliseo Mendes - professor

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